Rio, 14 (AE) - A Polícia Civil apreendeu no Rio um rolo de papel branco, de textura grossa, muito semelhante ao tipo de papel usado para a elaboração de documentos públicos, como carteiras de habilitação, e também utilizado pela Casa da Moeda na confecção de seus formulários de emissão de documentos, como passaporte. O rolo foi encontrado ontem à noite em poder de dois integrantes de uma quadrilha de estelionatários especializada no derrame de carteiras de identidade e de habilitação falsas em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e no Grande Rio. Além disso, foram encontradas carteiras de habilitação e identidade falsas.
O material foi encaminhado hoje à tarde ao Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), no centro do Rio, para que seja realizada uma perícia para determinar se o rolo é falso ou verdadeiro. O laudo sairá na próxima semana. Segundo o delegado da 59ª Delegacia Policial (Duque de Caxias), Ricardo Domingues, responsável pelas investigações, se o laudo provar que o material é original, a polícia irá enviar um ofício à Casa da Moeda comunicando oficialmente a apreenão do rolo e solicitando que a instituição realize uma investigação para apurar como o material teria saído do local.
O delegado disse que seria prematuro acusar o envolvimento de ex-funcionários da Casa da Moeda no caso sem antes saber o resultado do laudo. "Se o rolo for verdadeiro vamos investigar os ex-funcionários e funcionários da Casa da Moeda e outros órgãos que poderiam usar esse tipo de papel", explicou o delegado. No entanto, ele afirmou que não descarta a hipótese de quadrilha também ter adquirido o material de outras formas, as quais não quis revelar para não atrapalhar as investigações. A direção da Casa da Moeda informou que irá esperar o resultado do laudo.
Domingues afirmou que a quadrilha atuava nos bairros de Vila São Luís e Guadalupe, em Duque de Caxias. "Eles funcionavam como um quartel-general de um mini-Detran", afirmou o policial. Os estelionatários cobravam entre R$ 600 a mil reais por carteira de habilitação falsa.
Os dois estelionatários presos, identificados como Giovani Moreira da Silva, de 36 anos, e Geraldo Bernardes, de 54 anos, aplicavam golpes em homens e mulheres de diferentes idades. Silva se apresentava como ofical de Justiça para as vítimas e Bernardes, foragido e já condenado por em outros processos, atuava como intermediário.
Eles disseram em depoimento que a quadrilha era formada por outras duas pessoas, cujos nomes não foram divulgados pela polícia para não atrapalhar as investigações. "Vamos prender esses dois criminosos nas próximas horas", garantiu Domingues.

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