Polícia apreende 50 cobras na casa de estudante
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segunda-feira, 17 de abril de 2000
Por Clayton Levy 
Campinas, SP,18 (AE) - A Polícia Florestal transferiu hoje para o serpentário do Instituto Biológico Eva, em Paulínia, 56 cascáveis que estavam na casa do estudante de biologia Allan Erick Soares de Oliveira, de 24 anos. Os répteis foram apreendidos ontem (17) à noite depois de uma denúncia anônima. O dono das cobras, que não possuia licença do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), foi indiciado por retenção de animais silvestres em domicílio.
Os animais adultos eram criados num cercado de 1,5 metro por 1,5 metro, enquanto os filhotes estavam numa caixa dágua. Além das cascáveis, os policiais encontraram duas aranhas caranguejeiras, que eram mantidas em caixas de plástico. O estudante, que mora na rua Ferdinando Panatone, Jardim Paulíceá, disse que havia conseguido as cobras com a ajuda de fazendeiros no sul de Minas Gerais com o objetivo de fornecer soro anti-ofídico aos donos das terras.
A presença das cobras vinha assustando os vizinhos de Soares, que temiam a ocorrência de algum acidente caso as cobras escapassem. "Cheguei a encontrar duas cobras no meu quintal", disse uma moradora, que não quis se identificar. "Ninguém pode ficar sossegado sabendo que cobras venenosas podem invadir sua casa a qualquer momento", completou.
O estudante, porém, nega que havia risco aos vizinhos. "Pretendia desenvolver um programa conservacionista", disse Oliveira, que é aluno da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (Puccamp). Ele disse que pretende recuperar os animais para continuar o trabalho. "Vou procurar o Ibama ao mais rápido possível para obter a licença necessária", garantiu.
Enquanto Oliveira não consegue a licença, os animais permanecerão no Instituto Biológico Eva, que mantém uma grande coleção de cobras para produção de soro anti-ofídico. No ano passado, a instituição foi vítima de ladrões, que roubaram cerca de trinta cascavéis. Os exemplares nunca mais foram recuperados e a suspeita é de que tenham sido levados para atender ao contrabando de animais silvestres.
A lei federal 9.605 proíbe a retenção de animais silvestres em domicílio sem autorização do órgão competente. O infrator responde a processo criminal e pode ser condenado a pena de seis meses a um ano de reclusão. Além de ser preso, o acusado está sujeito a multa de até R$ 500,00 por animal apreendido. No caso do estudante, a multa somaria R$ 29 mil.


