A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu na tarde desta terça-feira (3) a investigação sobre morte do cão Orelha ocorrida na Praia Brava, em Florianópolis, no último dia 4 de janeiro. O cachorro comunitário, de 10 anos, foi encontrado por uma tutora após ser gravemente ferido devido a pauladas. Levado a uma clínica veterinária em agonia, ele não resistiu aos ferimentos.

Um menor, cuja inicial é M. , foi apontado pela polícia como autor do crime. Um moleton do adolescente, recolhido no aeroporto após seu retorno de uma viagem à Disney, no último dia 29, serviu como peça-chave para sua identificação, além das imagens registradas pelas câmeras nas ruas no dia do crime.

A notícia foi divulgada em primeira mão pelo Portal Leo Dias, que também mostrou, com exclusividade, as imagens do adolescente usando o moleton no dia do crime, comparando-o com a peça recolhida no areroporto.

Já foi pedida a internação socioeducativa do adolescente conforme estabelece a lei nos casos que envolvem menores infratores que têm entre 12 e 18 anos, uma forma de privação de liberdade prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Outros adolescentes que fazem parte do mesmo grupo também vão responder pelos maus-tratos dirigidos ao cão Caramelo, vítima de uma tentativa de afogamento no mar. Caramelo também era um cão comunitário que vivia no mesmo espaço de Orelha, na Praia Brava. Ele saiu das ruas depois de ser adotado por um delegado de Florianópolis.

Também foram indiciados três adultos por coação a testemunha, segundo a PC-SC.

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Antes da divulgação feita nesta terça-feira pela polícia, houve tentativas de abafar ou desviar a atenção sobre o grupo de adolescentes infratores que pertencem à elite de Florianópolis.

Uma campanha intensa nas redes sociais, com a hashtag #justiçapororelha, e grandes manifestações públicas nas principais capitais do País no último domingo (1), mantiveram o caso vivo sob um apelo popular gigante.

REPERCUSSÃO

O caso teve repercussão não só no Brasil como no exterior. Aqui, artistas como Paolla Oliveira e ativistas como Luísa Mell manifestaram seu pesar chamando a atenção sobre a morte de Orelha e os crimes contra animais.

Também vieram à tona casos de tortura e morte de animais que servem como "espetáculos ao vivo" em plataformas digitais como a Discord. Segundo a delegada Lisandra Salvariego, do Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), da Polícia Civil de São Paulo, em entrevista à BBC, dezenas de animais são mortos por adolescentes, todas as noites, numa espécie de "show de horrores" na internet. Outros veículos, como o Estadão, também publicaram matérias sobre esses crimes.

A Folha de Londrina publicou uma ampla matéria sobre a morte do cão Orelha na última sexta-feira (30) quando o caso ainda estava sob investigação.

* Matéria em atualização.

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