Uniflor - Cerca de 80 policiais deverão fazer hoje, a partir das 8 horas, a retirada dos trabalhadores sem-terra que ocuparam na manhã de anteontem a Fazenda Pitanga, em Uniflor (49 quilômetros ao norte de Maringá), cumprindo a reintegração de posse concedida pela juíza Marisa de Freitas, da comarca de Nova Esperança. A informação foi repassada ontem à Folha pelo sub-comandante do 8º Batalhão da Polícia Militar, major Marcos de Castro Palma. Segundo ele, a orientação repassada pelo comando estadual da PM é de que a retirada seja de forma pacífica, através de negociação com os invasores.
O comandante geral da PM, coronel David Pancotti, disse ontem à tarde à Folha que nenhuma ordem para desocupação havia sido repassada ao 8º Batalhão.
A ocupação da fazenda foi feita por volta das 12 horas de anteontem por cerca de 20 trabalhadores sem-terra. Ontem, os próprios invasores afirmaram que estavam esperando mais 400 pessoas para ocupar o acampamento. Segundo um dos invasores conhecido por Onorique, na noite de anteontem e madrugada de ontem, vários tiros foram disparados da fazenda. Ninguém ficou ferido e os sem-terra não registraram queixa na delegacia.
O proprietário da fazenda, Antonio Carlos Granzoto, nega que tenha efetuado os tiros ou autorizado os funcionários a investir contra os sem-terra. Ele disse que está ''vivendo dias de sufoco desde a ocupação'', mas garante que a propriedade, com 320 alqueires, é produtiva. ''Planto soja, canola, milho e tenho gado em confinamento'', disse Granzoto. Segundo ele, a área ocupada pelos sem-terra pertence à Fazenda Pitanga, embora os invasores afirmem que o local está fora da propriedade de Granzoto. A fazenda é a primeira na região Noroeste a ser invadida este ano. (Leia mais sobre a questão da terra na página 8)

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