Polícia alerta Gugu sobre ameaças do PCC
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sexta-feira, 26 de setembro de 2003
Agência Folha 
São Paulo - Todos os envolvidos na falsa entrevista veiculada no programa ''Domingo Legal'', no último dia 7, inclusive o apresentador Gugu Liberato, foram alertados pela polícia, durante os depoimentos, de que podem sofrer represálias da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo o delegado Alberto Pereira Matheus, do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), grampos telefônicos mostraram que membros da cúpula da facção ficaram descontentes a exposição do PCC no caso e prometem represálias.
Na entrevista, dois atores encapuzados disseram pertencer à facção e ameaçaram diversas personalidades. Segundo a polícia, um dos fatos que mais revoltou o PCC foi a ameaça ao vice-prefeito de São Paulo, Hélio Bicudo. Liderança no movimento de direitos humanos, Bicudo é respeitado pelos presos e pela facção. A Polícia Civil encerrou o inquérito sobre o caso quinta-feira, após depoimento de Gugu.
Para a polícia, Hamilton Tadeu dos Santos, o Barney, foi responsável por intermediar com o programa ''Domingo Legal'' a entrevista com os falsos criminosos. Os entrevistados, que usaram os codinomes Alfa e Beta, foram identificados como os atores Wagner Faustino da Silva e Rodrigues da Silva, o Beta. Os três foram indiciados por apologia ao crime.
O repórter Wagner Maffezoli e o produtor Rogério Casagrande, ambos do programa ''Domingo Legal'', também foram indiciados pela polícia com base no artigo 16 da Lei de Imprensa. O advogado Adriano Salles Vanni, que defende Gugu, conseguiu evitar que o apresentador fosse indiciado em inquérito policial.
Segundo o promotor Roberto Porto, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Gugu ainda poderá ser responsabilizado. ''As provas já são claras no inquérito. O fato do indiciamento ou não de uma pessoa, nesse caso, é uma mera formalidade, que não interfere em nada em nossa convicção e no conteúdo das provas'', disse.
Punição - A Secretaria de Comunicação Eletrônica do Ministério das Comunicações enviou notificação ao SBT por causa da falsa entrevisat. A emissora terá cinco dias para se defender. O prazo começa a contar quando a notificação for recebida. ''O SBT ainda não tem conhecimento oficial. E assim que for notificado deverá se pronunciar a respeito'', informou ontem a assessoria de imprensa do SBT.
A notificação é o primeiro passo antes de uma punição. A emissora é enquadrada por violação a dois itens do artigo 53 do Código Brasileiro de Telecomunicações: ''veicular notícias falsas'' e ''incitar a desobediência às leis''.
Segundo o código, o SBT pode ser punido com multa de até R$ 120 mil, ter toda a programação suspensa por até 30 dias e perder a concessão de TV. O detentor da concessão pode, ainda, receber pena de até três anos de prisão.


