Polícia ainda caça dois sequestradores
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quarta-feira, 24 de março de 1999
Agência Folha 
As Polícias Federal e Civil de Goiás estão à procura de um homem cujo prenome é Luís, outro suspeito de ter participado do sequestro de Wellington Camargo, 28 anos - irmão dos cantores sertanejos Zezé di Camargo e Luciano -, libertado no domingo, após 94 dias de cativeiro.
Segundo os delegados da PF de Brasília que estão comandando as investigações desde 5 de fevereiro - juntamente com o secretário da Segurança Pública e Justiça de Goiás, Demóstenes Torres -, Angelo Salignac e Daniel Sampaio, esse Luís possivelmente fugiu de Goiânia com os cerca de US$ 40 mil ainda não recuperados (dos US$ 300 mil pagos no resgate). Ele teria levado ainda dois fuzis que aparecem em fotos que os sequestradores enviaram para a família Camargo, no dia 20 de fevereiro.
Nas fotos, Wellington aparece nu na frente dessas armas. Ao fundo, foi colocado um plástico preto para esconder detalhes do cativeiro. A PF e a Polícia Civil, segundo os delegados, não têm ainda muitos detalhes sobre esse Luís, mas existe a suspeita de ele ser ligado a alguém das famílias Oliveira e Paixão, que teriam se unido para promover o sequestro.
A Polícia Federal está no rastro de outro suspeito do crime. Trata-se de Ademir de Oliveira, que conseguiu fugir do cerco da PF na região de Campinas (SP), logo após a libertação de Wellington. Ademir seria a pessoa que fazia os contatos com os parentes do sequestrado a partir de São Paulo. Os delegados acreditam que ele ainda esteja no Estado de São Paulo. A PF tem fotos do suspeito e acredita que levará mais alguns dias para prendê-lo.
Todas as 20 pessoas presas sob suspeita de terem participado do sequestro de Wellington estão à disposição da Polícia Civil de Goiás, que é a responsável pela condução do inquérito policial.
Teve início ontem o depoimento dos oito suspeitos presos em Campo Grande (MS), entre eles os irmãos Moacir Francisco de Oliveira, 39 (condenado a 45 anos de reclusão por vários crimes), e José Francisco de Oliveira, 43 (condenado a 74 anos de reclusão).
Moacir tem tentado isentar as mulheres do envolvimento no crime. Ele disse isso em Campo Grande, onde foi preso, e tem repetido em Goiânia. Além dele, seriam responsáveis apenas os seus irmãos (José Francisco e Ademir) e Osmar Martins, que é foragido do presídio do Carandiru, em São Paulo, segundo Moacir.
A polícia, no entanto, diz ter provas de que pelo menos 10 das 12 mulheres presas como suspeitas têm alguma participação no sequestro.


