Polícia aguarda que advogado se apresente
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sexta-feira, 16 de setembro de 2005
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba As polícias Civil e Federal aguardam voluntariamente a apresentação do advogado criminalista foragido há 93 dias, Peter Amaro de Sousa, que teve a prisão decretada durante a Operação Tentáculos. O delegado Luiz Alberto Cartaxo de Moura, que presidiu o inquérito antes dele ter sido remetido para a Justiça Criminal, garantiu que iria preservar todos os direitos constitucionais do advogado. Cartaxo disse que pediu a prisão de Sousa devido àss gravações telefônicas feitas legalmente em telefones de pessoas suspeitas de participação na morte do então major Pedro Plocharski, que comandava interinamente o 13º Batalhão da Polícia Militar (BPM).
''Ele demonstrava que sabia demais em trechos importantes das gravações realizadas. Numa das conversas ele diz que sabia a hora e quem tinha mandado matar o major. Decretei a prisão na expectativa de que ele contasse a história que sabia. O fato dele contar poderia ser uma defesa imediata'', pontuou Cartaxo. Sousa, em entrevista exclusiva à Folha esta semana, já tinha a certeza dos motivos da prisão e garantiu que não poderia revelar o que sabia por força da profissão. Todos os detalhes conhecidos por ele seriam fruto do trabalho que exerceria como advogado. Sousa defendia a maior parte dos policiais militares e supostos traficantes presos durante a Operação Tentáculos.
''Não posso afirmar que ele teria participação em assassinato ou tráfico de drogas. Tenho certeza apenas pelas gravações que se trata de um consumidor e que foi partícipe da quadrilha. Existe um limite entre a advocacia e a co-participação. O fato dele estar foragido pode indicar que o limite foi rompido'', disse o delegado. Cartaxo acredita que se Sousa se apresentasse voluntariamente, teria mais chances de conseguir habeas-corpus na Justiça.
O delegado da Polícia Federal (PF), Fernando Francischini, disse que a PF foi chamada para prestar auxílio operacional. ''Provas no processo existem. Ou ele teria conseguido habeas-corpus'', limitou-se a dizer.


