Polícia admite hipótese do furto de corpo
Agência Estado
De Miracatu, SP
O delegado seccional de Registro, Sebastião Corrêa, a 185 quilômetros de São Paulo, admitiu ontem a hipótese de o corpo da professora de Curitiba Beatriz Pierin de Barros Silva, de 30 anos, ter sido furtado. Ela morreu na madrugada de segunda-feira na colisão entre um ônibus da Viação Itapemirim e um contêiner que se desprendeu de um caminhão, na Rodovia Régis Bittencourt (BR-116), na altura de Miracatu.
O delegado abriu inquérito por subtração/ocultação de cadáver e começou a ouvir as pessoas que transportaram as vítimas do acidente, no qual morreram 18 passageiros do ônibus. A mulher viajava no ônibus e chegou a ser fotografada e filmada entre as pessoas mortas, mas seu corpo desapareceu e não havia sido localizado até o fim da tarde de ontem. Desde as 15 horas, um helicóptero da Polícia Civil passou a auxiliar nas buscas.
O empresário Sérgio Augusto Dias, marido de Beatriz, que reconheceu o corpo da mulher pelas fotografias, denunciou à imprensa a possível ação de um suposto esquema de tráfico de cadáveres na região (ver texto ao lado). O delegado disse que a denúncia está sendo investigada. Ainda não temos qualquer evidência disso, mas nenhuma hipótese pode ser desprezada, disse o delegado.
Ontem Corrêa recebeu a visita do diretor do Departamento Regional do Interior (Derin), Alberto Corazza, preocupado com a repercussão que o caso está tendo. Segundo o delegado, as investigações estão sendo feitas com a colaboração de toda a polícia da região. O delegado de Miracatu, Flávio Ruiz Gastaldi, também admitiu a possibilidade de ocultação intencional do cadáver, embora tenha ressalvado tratar-se, por enquanto, de hipótese.
No inquérito que apura o desaparecimento do corpo, já foram ouvidos funcionários do Instituto Médico Legal (IML) de Registro e da Funerária São Camilo, dessa cidade, que transportou parte dos corpos para o necrotério de Miracatu. Os corpos permaneceram algumas horas no local até serem expedidas as requisições de exame cadavérico pela delegacia local.
Do local, foram levados para o IML de Registro, a 45 quilômetros. Segundo o gerente José Justino, foram carregados 14 corpos nos dois veículos da empresa uma Kombi e uma camioneta F-1000 mas, com a chegada de dois rabecões do IML, a maioria dos corpos foi transferida para esses veículos. Na contagem, no IML, deu um total de 16 corpos, disse. O corpo de outra vítima, que morreu no Hospital de Pariquera-Açu, chegou depois. Justino disse que pelo menos 15 funerárias da região e da Grande São Paulo enviaram carros. Ele não viu se algum corpo chegou a ser retirado do IML.





