A polícia localizou ontem mais dois corpos de mulheres nas matas do Parque do Estado, na zona sul de São Paulo, a 100 metros da casa onde morou o motoboy Francisco de Assis Pereira, de 31 anos. Ele é suspeito de ser maníaco do parque e está foragido. Desde janeiro, foram encontradas oito mulheres mortas naquele local.
Os dois corpos encontrado ontem estavam a cerca de 20 metros um do outro, em um trecho da mata nas imediações da Rua Alfenas, em Diadema, na altura do km 16 da Rodovia dos Imigrantes. A 100 metros dali, na Rua Bezerra de Menezes, no número 75, em Diadema, Pereira morou durante dois anos. Havia um ano, o motoboy estava morando na empresa em que trabalhava no Brás, zona leste da Capital.
Uma das mulheres estava despida e não tinha os dentes pré-molares. O cadáver estava de bruços. De acordo com a polícia, a vítima deveria ter 1,75 metro de altura. A outra mulher vestia uma camiseta preta e estava com um boné preto com a inscrição Boat. O cabelo era tingido de ruivo. Na orelha esquerda, havia três brincos de argolas e na direita, outros dois. Ao lado do corpo, que também estava de bruços, havia um pé de coturno número 35, sem o cadarço. Ainda de acordo com a polícia, a vítima tinha cerca 1,60 metro de altura e os dentes perfeitos.
Essa vítima usava um relógio da marca Spaltec com pulseira de couro e um anel de bijuteria. O relógio continuava funcionando normalmente. Foram encontradas várias roupas de mulheres e uma corrente com um pingente em formato de coração. A hipótese levantada ontem pela polícia era que a vítima de 1,60 metro poderia ser a estudante Isadora Fraenkel, que foi namorada de Pereira. Ela está desaparecida desde fevereiro.
De acordo com a perita criminal Jane Pacheco Belluci, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), as duas mulheres estavam mortas havia 30 ou 40 dias. Apesar disso, os policiais acreditam que a identificação deve ser possível porque os corpos estavam bem conservados. ‘‘A decomposição não foi acelerada porque o terreno onde fica a mata é bastante arenoso’’, explicou a perita.
A polícia recolheu a mão esquerda da mulher que estava totalmente nua. O material vai ser submetido a tratamento de hidratação de pele e depois, fotografado. Segundo os peritos, com isso é possível conseguir ‘‘o desenho digital’’ e a identificação da vítima. Foram recolhidas também as arcadas dentárias das duas mulheres.
Os corpos foram descobertos por policiais do Comando de Operações Especiais (COE) da PM e uma equipe do DHPP, chefiada pelo delegado Sérgio Alves, responsável pela apuração do caso.
Eles refizeram uma das trilhas usadas pelo maníaco dentro Parque do Estado para atacar suas vítimas. O acesso é feito pela Rodovia dos Imigrantes, em Diadema, onde há uma entrada. O parque está situado numa área 550 alqueires. Nessa mesma trilha, em janeiro, foi encontrado o corpo de Rachel Mota Rodrigues, de 22 anos.
Em maio, foi localizada uma ossada de mulher com um aparelho ortodôntico na arcada superior. Ela seria a professora de dança Michele Martins, de 20 anos. A identificação ainda depende de exames do Instituto Médico-Legal de São Paulo.

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