Três corpos cujas características são semelhantes às dos três adolescentes desaparecidos no último dia 17, em São Vicente (SP), foram encontrados na tarde de ontem pela Polícia Militar em um córrego na cidade vizinha de Praia Grande. Os corpos, com roupas e em estado de decomposição, estavam enfileirados no córrego, que fica em uma região de mata atrás do motel Kibbutz, nas proximidades do Litoral Plaza Shopping.
Anderson Pereira dos Santos, 14 anos, Paulo Roberto da Silva, 21 anos, e Thiago Passos Ferreira, 17 anos, desapareceram na madrugada da Quarta-Feira de Cinzas, depois de terem sido abordados por homens de uma guarnição da Polícia Militar na Praia do Itararé, em São Vicente (litoral sul de SP). O secretário estadual da Segurança Pública, Marco Vinicio Petrelluzzi, e o comandante-geral da Polícia Militar, Rui César Melo, chegaram de helicóptero por volta das 16h30 à Praia Grande, para acompanhar a remoção dos corpos.
A confirmação de que os corpos são realmente os dos adolescentes ocorreria somente depois que os pais reconhecessem os cadáveres no IML (Instituto Médico Legal) de Santos, o que não havia acontecido até as 19h de ontem. Vinte policiais do COE (Comando de Operações Especiais) da PM, e agentes do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) da Polícia Civil, realizavam buscas no local, desde as 9h20 de ontem. Segundo um oficial da PM que participou das buscas, mas não se identificou, os corpos estavam a uma distância de pouco mais de 100 metros da avenida Ayrton Senna, o principal acesso à cidade.
A Polícia Militar chegou ao local onde estavam os corpos com o auxílio de duas testemunhas, cujas identidades não foram reveladas. Vigias do Litoral Plaza Shopping, as testemunhas só teriam sido localizadas ontem e disseram ter presenciado um veículo Blazer, da PM, entrando na mata por volta das 6h15 da Quarta-Feira de Cinzas. As testemunhas teriam visto os PMs retirando os corpos do veículo e retornando à Blazer em seguida.
O secretário Marco Vinicio Petrelluzzi informou que os corpos foram encontrados por volta das 14 horas. Um veículo do IML de Praia Grande chegou às 17h30 ao local para recolher os corpos.
A procuradora da Fazenda Silvia Giordano, mãe de Thiago Passos Ferreira, esteve no local no final da tarde e disse que seu filho vestia uma camiseta com motivos de surfe e possuía aparelhos nos dentes, descrição que coincide com as características de um dos cadáveres, segundo informou a assessoria da Secretaria da Segurança Pública.
Se confirmado que os corpos são os dos adolescentes, restará identificar os PMs que cometeram os assassinatos. Sete suspeitos se encontram em prisão temporária no Presídio Militar Romão Gomes, em São Paulo. Eles são o segundo-tenente Alessandro Rodrigues de Oliveira, o sargento José Carlos Ferreira e os soldados Marcelo de Oliveira Christov, Edvaldo Rubens de Assis, Humberto Conceição, Antonio Sérgio Quintas da Costa e Alexandre Serafim de Lara Costa. Todos pertencem ao Regimento da Polícia Montada (Cavalaria), de São Paulo. Os policiais negaram o crime. Em depoimentos à Corregedoria da PM, eles afirmaram que sequer chegaram a abordar os adolescentes.
O caso do desaparecimento dos jovens em São Vicente provocou indignação na Corregedoria da Polícia Militar. ‘‘É uma coisa inexplicável. É difícil acreditar que uma pessoa possa matar um animal, muito menos três jovens’’, disse o corregedor da PM, coronel Luiz Carlos Guimarães, referindo-se à suspeita de que policiais militares sejam os responsáveis pela morte dos adolescentes.
Quando souberam da notícia da provável localização dos corpos, ontem à tarde, na Assembléia Legislativa de São Paulo, as mães de dois dos três garotos desaparecidos passaram mal e tiveram de ser socorridas à enfermaria. Vanda Pereira dos Santos, mãe de Anderson Pereira dos Santos, e Maria da Conceição Cordeiro da Silva, mãe de Paulo Roberto da Silva, souberam da notícia quando participavam de uma reunião da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia.
A informação foi transmitida para o presidente da comissão, o deputado Renato Simões (PT), no plenário ao lado do da sessão. De lá, as mães, acompanhadas dos maridos, foram conduzidas, chorando, para a enfermaria, onde foram medicadas com calmantes. ‘‘Os bandidos estão presos e, até agora, nada’’, desabafara Maria da Conceição, duas horas antes de saber do encontro dos corpos. ‘‘É um desespero muito grande. Quero meu filho do jeito que ele estiver’’, afirmara Vanda. Na semana passada, elas haviam ido à Secretaria da
Segurança para pedir agilidade na apuração.Paulo Liebert/AESofrimentoMaria da Conceição da Silva, mãe de Paulo Roberto da Silva, durante audiência ontem com a comissão de Direitos Humanos da Assembléia paulistaFausto Siqueira
Agência Folha

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