Brasília, 05 (AE) - A Delegacia de Costumes e Diversões Públicas (DCDP) do Distrito Federal abriu inquérito para apurar a ocorrência de atos de violência entre integrantes de gangues formadas por lutadores de jiu-jitsu em Brasília. Segundo o secretário de Segurança Pública, Paulo Castelo Branco, a medida foi tomada após a divulgação da matéria "A Cultura do Tapão" pela revista Veja, no domingo. Além de pessoas entrevistadas, a polícia ouvirá também o repórter responsável pela matéria.
O secretário disse que dois dias antes da publicação da matéria, o governo do DF havia lançado um programa contra a violência. "Mandei imediatamente abrir inquérito para apurar tudo", afirmou Castelo Branco. Na reportagem de Veja, aparece a foto de Alex Nacfur, 21, anos e a seguinte frase atribuída a ele: "já perdi conta de quantos eu apaguei em brigas de rua". Em depoimento na DCDP, porém, o rapaz negou ter feito esta afirmação ao jornalista Wladimir Netto. Alex, que já recebeu vários títulos de jiu-jitsu, negou também ter participado de brigas de rua.
O inquérito, de acordo com o secretário, vai apurar se o rapaz usou o termo "apagar" para simplesmente "fazer farra" ou se esteve envolvido em algum crime. Na revista, o termo apagar é traduzido por "fazer alguém desmaiar" no meio dos praticantes da arte marcial. Além disso, a polícia ouviu outro rapaz, identificado como Leandro - que aparece na foto da revista ao lado de Alex, com o rosto coberto e com um revólver na cintura. Leandro responderá por porte ilegal de armas. Também foi incluído no inquérito Luiz Carlos Mourão Albuquerque, que, segundo a polícia, teria cedido a arma para a realização da foto. Todos foram liberados depois de ouvidos.
"Todas as declarações, inclusive a do repórter, serão investigadas", afirmou o secretário Castelo Branco. Wladimir Netto deverá ser ouvido na segunda-feira. Ele já havia sido chamado a depor, mas justificou impedimento.

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