Polícia abre inquérito contra vereador Dito Salim, do PPB
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sexta-feira, 05 de março de 1999
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 05 (AE) - A polícia abriu inquérito para investigar as acusações de apropriação indébita pelo vereador Dito Salim (PPB). Dois ex-funcionários do gabinete de Salim, na Câmara Municipal, revelaram que eram obrigados a devolver parte de seus salários para o parlamentar. O inquérito deve ser concluído em 30 dias.
Laerte Antonacci e Lúcia Aparecida Tavares da Silva foram ouvidos hoje (05) pelo delegado Joaquim Dias Alves, titular do 1º Distrito Policial, na Sé. Segundo eles, todos os funcionários do gabinete ficam com apenas 40% do valor do holerite. O restante, segundo eles, ficaria retido com o parlamentar.
O inquérito foi aberto a pedido Promotoria de Justiça Criminal
do Ministério Público Estadual (MPE), que investiga o caso. Lúcia trabalhou dois anos no gabinete do vereador, como assistente parlamentar. Seu salário era de R$ 3 mil, mas ela levava menos da metade para casa. "O restante tinha de ser devolvido", diz Lúcia.
Quando começou a trabalhar, Salim teria prometido que descontaria apenas nos dois primeiros meses. "Mas era só conversa", diz. Lúcia calcula ter pago mais de R$ 60 mil ao vereador.
Em dezembro de 1997, Salim teria exigido todo o 13º salário dos funcionários. "Aí eu não quis devolver, pois não era justo", diz Lúcia. Em 16 de dezembro, ela foi exonerada do cargo.
Toda a contabilidade do gabinete era realizada por Antonacci, que também foi demitido porque se recusou a devolver parte do salário. Segundo ele, na época em que esteve no gabinete, Salim ficava com cerca de R$ 15 mil mensais de seus funcionários. "Eu tirava xerox de todos os holerites, pois ele queria saber quem estava pagando direito", diz Antonacci. "As pessoas já recebiam seus recibos abertos."
Procurado em seu gabinete na Câmara Municipal e em seu escritório, o vereador Salim não foi localizado pela Agência Estado.


