Recife, 02 (AE) - A Polícia de São Bento do Una, a 217 quilômetros do Recife, instaurou hoje inquérito policial contra o líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) de Pernambuco, Jaime Amorim. Ontem (01), o líder sem-terra ameaçou invadir a cadeia pública do município para libertar cinco trabalhadores rurais presos há seis meses sob acusação de terem roubado oito bodes para servir de alimento às famílias que participaram de uma ocupação de terra. Os presos aguardam julgamento. Desde a segunda-feira, um grupo de sem-terra está acampado em ao fórum. Eles prometem ficar no local, em vigília, até que os cinco sejam libertados. Para evitar a invasão, o juiz da comarca, Gilvan Macedo Santos, transferiu os sem-terra para o Presídio Aníbal Bruno, no Recife, onde eles se encontram desde a madrugada de hoje. E fez a denúncia à Polícia Civil. "A ação de Amorim foi contra o juiz e contra a Justiça", afirmou Macedo Santos ao acusar o líder de desacato, calúnia e difamação. "Além de acusações caluniosas e de usar palavras de baixo calão contra a minha pessoa, ele chegou a dizer aos acampados que iria prender o juiz no fórum e invadir a cadeia".
Amorim confirma a ameaça de invasão. "Fazer o que?", perguntou. "Não existe Justiça e os nossos companheiros estão sofrendo injustamente durante todo esse tempo". Ele acusa o juiz de parcial, omisso e desfavorável ao MST. "Ele age de forma rancorosa e odiosa contra o movimento e suas lideranças", disse. Por esta razão, o movimento pediu, semana passada, no Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJ), o afastamento do juiz do caso. O líder sem-terra, afirma que desde a prisão, no dia 4 de março, seis pedidos de habeas corpus já foram negados. Um outro, que se esperava fosse julgado ontem, teve o julgamento adiado para a próxima semana. Um oitavo pedido foi impetrado hoje, também no TJ, com pedido de liminar.
Os advogados do MST-PE alegam que a prisão é ilegal por excesso de prazo, já que uma pessoa não pode ficar mais que 81 dias presa sem que o processo tenha sido concluído, á espera de julgamento. O juiz de São Bento do Una afirma que esse prazo não está na lei e justifica a demora com o fato de serem cinco presos. Estão detidos José Caetano da Silva, José Francisco da Silva, Brasiliano Silva Brito, Fabiano Alves de Jesus e Cícero de Melo Rocha. Eles foram presos em flagrante durante reocupação da Fazenda Santa Rita, em São Bento do Una. A área havia sido ocupada pela primeira vez em 1997.

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