Curitiba - Os 89 alunos do quinto período do curso de medicina da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que tradicionalmente usavam cães como cobaias, estão sem aulas práticas na disciplina de técnica operatória. Em vez de operar cachorros, eles estão recebendo noções práticas sobre o uso de instrumentos cirúrgicos. Um acordo firmado em junho, entre a Reitoria da UFPR, entidades de defesa dos animais e a Promotoria de Defesa do Meio Ambiente, órgão vinculado ao Ministério Público gerou o problema.
Pelo acordo, os cães não podem mais sofrer eutanásia depois das aulas práticas. As cirurgias também ficaram suspensas até que sejam viabilizadas condições de sobrevivência pós-cirúrgica dos animais. O acordo prevê ainda que os alunos devem se responsabilizar pela convalescência e destino, ajudando a achar quem adote o animal.
A instituição não encontrou alternativa para viabilizar as aulas práticas de técnica operatória. Os estudantes se queixam da ''solução'' apontada pelo reitor Carlos Augusto Moreira. ''Nós não vamos arcar com uma responsabilidade que é da universidade'', diz Luiz Fernando. Para o coordenador do curso de medicina, Miguel Ibraim Hanna, uma opção seria fazer um novo acordo com o Hospital Veterinário (HV) da UFPR permitindo a recuperação dos cães naquele local. Mas o HV não tem estrutura para cuidar dos animais.
As partes aguardam parecer do setor jurídico da UFPR. Ainda este mês deve ocorrer reunião envolvendo os setores da saúde (medicina e veterinária) da UFPR, Ministério do Meio Ambiente e as organizações não-governamentais (ONGs).
Uma possibilidade que está sendo analisada pelo jurídico da UFPR seria o uso de outro animal como o coelho, ou porco para as aulas.

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