Polêmica no desfile de Curitiba DivulgaçãoA rainha do Carnaval de Curitiba, Márcia de Souza (à esq.): nas ruas houve animação, apesar da disputa das escolas pelo desfile Maigue Gueths De Curitiba O Carnaval de rua em Curitiba começou, no sábado, com o ritmo do grupo Afoxé, o encanto de quase 450 idosos do grupo Rancho das Flores e muito desentendimento entre as seis escolas de samba do grupo especial. A maior polêmica da noite era saber qual escola deveria ter o direito de desfilar em último lugar, posto que normalmente é ocupado pela campeã do Carnaval anterior. Pela programação oficial, a Escola Embaixadores da Alegria, campeã em 1998, desfilaria por último. No final da tarde de sexta-feira, no entanto, a Escola Acadêmicos da Realeza, vitoriosa em 99, conseguiu liminar na Justiça, garantindo este privilégio. A divergência, na verdade, envolve a Federação das Escolas de Samba, que agrega quatro escolas do grupo especial (Acadêmicos da Realeza, Tradição Rubro-Negra, Garotos Unidos e Colorado) e a Liga das Escolas de Samba, que tem duas escolas do grupo (Mocidade Azul e Embaixadores da Alegria). Segundo o presidente da comissão executiva do Carnaval, José Hartl, até 1998, os concursos eram todos feitos pela Fundação Cultural de Curitiba. Já em 1999, a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer assumiu a função de realizar o carnaval com a ajuda de empresas e sem custos para os cofres públicos, passando à Liga e à Federação a incumbência de organizar o concurso. ‘‘O problema é que a Federação não quis seguir regulamento nenhum, colocando blocos com menos de 300 pessoas, que é o mínimo exigido para ser escola especial’’, acusa o presidente da Liga, Saul D’Avila. A Liga se retirou do desfile e só as escolas da Federação desfilaram, com julgamento considerado não oficial. D’Avila quer cassar a liminar em favor da Acadêmicos da Realeza. Ele contesta, ainda, a participação da Escola Tradição Rubro-Negra, que tinha cerca de 150 integrantes, enquanto o regulamento do Carnaval exige mínimo de 300 integrantes nas escolas do Grupo Especial. Por outro lado, o presidente da Federação, Louremar Wagner Ribero, vai na Justiça contestar a participação da Escola Embaixadores da Alegria. Segundo ele, a escola tem uma dívida ativa com o município de cerca de R$ 80 mil. D’Avila afirma que tem um documento da Prefeitura que diz que a escola não tem nenhuma dívida. O público passou à margem destes problemas. A avenida Cândido de Abreu, no Centro Cívico, ficou lotada, com muita gente em pé, além de 1.100 mil pessoas que adquiriram lugares na arquibancada com a troca de um quilo de alimento não perecível. Os alimentos serão revertidos ao Instituto Pró-Cidadania. Na avenida, além das escolas o destaque ficou por conta da iluminação, que usou 180 canhões de 500 mil watts cada, feita pelo iluminador teatral Beto Bruel, o som de 200 mil watts e a decoração lembrando os 500 anos de descobrimento, com o nome ‘‘Passarela do Descobrimento’’, feita pelo arquiteto Fernando Canalli. Segundo o Comando de Operação Carnaval da Polícia Militar, não houve nenhum incidente grave na cidade. Só foram detidas algumas pessoas consumindo drogas. Ao todo, cerca de duas mil pessoas estão trabalhando no apoio ao Carnaval de rua, entre policiais civis e militares, Corpo de Bombeiros e profissionais da área da saúde.