Manaus, 21 (AE) - Após denunciar a exploração ilegal de madeira em Barreirinha, Amazonas, pela Madeireira EcoBrasil Andirá- Holanda, o poeta amazonense Thiago de Melo, de 73 anos - reconhecido internacionalmente pela defesa da floresta amazônica que prega nos seus livros -, está ameaçado de morte por trabalhadores da comunidade do Açu, localizada no mesmo município, a 400 quilômetros de Manaus.
A denúncia de Thiago provocou o fechamento da madeireira
as demissões do madeireiro holandês Gerardus Bartels e do gerente, vereador Clauberte Pereira (PFL). As cinco frentes de trabalho, com mais de 250 trabalhadores, também foram encerradas. Exploração - O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) constataram que a empresa iniciou a exploração da floresta sem as licenças ambientais. Na semana passada, fiscais do Ibama encontraram 3 mil toras de madeiras submersas no Rio Andirá, que foram retiradas de uma área limite da reserva indígena Sateré-Maue, como havia denunciado o poeta.
"Os trabalhadores estão me culpando porque perderam o trabalho. Estão prometendo fazer uma emboscada para me matar" disse hoje, por telefone, o poeta Thiago de Melo. Ele mora há mais de 20 anos em Barreirinha, depois de viver no Chile, país onde ficou exilado durante o período do regime militar. Em Barreirinha, além de dedicar-se ao trabalho de escritor, ensina poesia às crianças ribeirinhas. "Eu não tenho medo de morrer porque ainda não chegou minha hora. Continuarei lutando pelos interesses da floresta que é um patrimônio da humanidade. Fiquem tranquilos", disse Thiago, referindo-se às ameaças.
Hoje, a prefeita de Barreirinha, Socorro Dutra (PMDB), determinou o reforço de segurança na casa do poeta. Havia notícias de que os trabalhadores da comunidade do Açu fariam passeata para protestar contra as denúncias do poeta. Holandês - O problema com a Madeireira EcoBrasil e os órgãos ambientais trouxe ao País o empresário holandês J.J.M. Schouw, gerente-geral da EcoBrasil BV. Em entrevista na semana passada, Schouw disse que desconhecia que o madeireiro Gerardus Bartels tinha desobedecido a legislação ambiental brasileira para instalar a madeireira em Barreirinha e anunciou ao Ibama e ao Ipaam que, a partir de agora, a situação da empresa seria legalizada.

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