São Paulo- A poeira dos ambientes frequentados diariamente pelos brasileiros -como a própria casa e o local de trabalho- pode estar contaminada por substâncias perigosas para o ser humano.
Uma pesquisa do grupo ambientalista Greenpeace divulgada ontem revela que a poeira coletada em escritórios e residências contém substâncias químicas utilizadas na fabricação de tecidos, cosméticos e eletrodomésticos que podem causar doenças.
Para a elaboração do relatório ''Substâncias Químicas Tóxicas na Poeira de Lares e de Ambientes de Trabalho no Brasil'', o Greenpeace coletou poeira de residências em São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro e Porto Alegre, de gabinetes de deputados federais e senadores e de diversos ambientes do prédio do Ministério do Meio Ambiente, em Brasília. As amostras foram enviadas para análise na Holanda.
As análises revelaram quantidades significativas de um grupo de dez substâncias tóxicas. Os fabricantes dizem que as substâncias químicas estão incorporadas nos produtos e não representam risco. De acordo com o Greenpeace, no entanto, as substâncias podem contaminar o ser humano por meio de inalação, ingestão ou tato.
''Não nos é dito, mas estamos cercados por substâncias químicas, cujos impactos na nossa saúde são muito sérios, principalmente em longos períodos de tempo'', afirma John Butcher, coordenador da Campanha contra Substâncias Tóxicas do Greenpeace no Brasil.
Para ele, substâncias químicas perigosas não devem estar em nenhum produto. ''A incorporação dos princípios da substituição e da precaução por leis, decretos e normas é fundamental para que as indústrias parem de utilizar o meio ambiente e a nossa saúde como campo de provas para substâncias perigosas'', diz.

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