Paris, 29 (AE) - Entre os adversários dos bombardeios contra a Sérvia, dois argumentos voltam frequentemente à tona: o primeiro é que a Europa teve de assumir o comando das operações militares, não os Estados Unidos. O segundo é que os ataques aéreos não bastam. Será preciso agir por terra.
Estes dois argumentos são convincentes. Mas seria ainda preciso que a Europa possuísse armas de qualidade. Ora, no que se refere à França, existem dúvidas.
Já por ocasião da Guerra do Golfo, o possante porta-aviões Le Clémenceau teve muita dificuldade para atingir a zona de conflito porque suas velhas máquinas se esfalfavam. Segundo as más línguas, sempre que um golpe de vento contrário se levantava
Le Clémenceau se punha a "avançar" para trás, como um cavalo velho que sempre retorna à estrebaria.
E, neste ano, no caso de Kosovo? Houve melhorias, mas limitadas. Os aviões Superétendard trabalharam muito. Deixaram cair grande quantidade de bombas no Mar Adriático. Mas, no mar? Porque isso, se as cidades sérvias, em sua imensa maioria, estão situadas em terra?
É que, quando o tempo é mau, os aviões não devem soltar suas bombas sobre seus objetivos (por receio de "estragos colaterais"). Levam-nas de volta, intatas, ao porta-aviões Foch. Infelizmente, o pouso com bombas de 250 quilos é muito perigoso. Os pilotos prefeririam bombardear o mar.
Existe um problema. Em princípio, um Superétendard, mesmo carregado com duas bombas, deveria poder pousar sem riscos sobre o Foch. De fato, os pilotos franceses foram muito bem treinados mas, para este treinamento, eles utilizavam bombas americanas.
Ora, os oficiais franceses acham que estas bombas americanas não são assim tão assombrosas. Podem explodir em seu nariz. Por isso, os Superétandards foram equipados, não com bombas americanas, mas com bombas Matra, francesas, mais seguras. O problema é que não se sabe inteiramente se as bombas Matra poderiam suportar o choque de um pouso sobre o Foch. É por isso que, na dúvida, são atiradas ao mar.
A mesma desvantagem existe para os aviões encarregados dos bombardeios à noite. Durante a Guerra do Golfo, os aparelhos franceses não sabiam agir de noite. Neste ano, as coisas melhoraram: possuimos oito Mirage 2000, capazes de operar à noite. Existem alguns outros Mirage 2000 baseados na França, mas eles não têm suficiente POD (câmera térmica a laser), e sem isso não podem operar. Não se vê portanto como se poderia colocar em ação mais de 10 Mirage 2000.
Quanto aos aviões diurnos, dispomos apenas de aparelhos antigos, tipo Jaguar, Mirage FI CT, geralmente privados de equipamentos que deveriam completá-los.
Mas, gracas a Deus, existe o valoroso Exército terrestre! Mas a quase totalidade dos efetivos utilizáveis já estão em ação. Procurando bem, encontraríamos mais 20 mil homens para acrescentar aos que estão na zona de guerra. Além disso, seria preciso demolir os dispositivos militares franceses na áfrica e além-mar. Recolheríamos no máximo algo em torno de 10 mil homens. E ao preço de uma bela desordem.
Vemos que não é inútil lançar um olhar sobre realidades militares que os analistas, estrategistas, jornalistas e "escritores engajados", do tipo Bernard-Henry Lévy ou André Glucksmann, ignoram democraticamente.
Descobriríamos que existem vastas distâncias entre o "desejável" e o "possível". E seríamos obrigados a admitir que os Exército americano, por mais discutíveis que sejam sua ação e seus métodos, contam com um avanço vertiginoso sobre os Exércitos europeus - pelo menos no que concerne ao material e à "guerra aperta-botão".

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