Pochmann e José Pastore fazem análise otimista para 2000
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segunda-feira, 27 de dezembro de 1999
por Melchíades Cunha Júnior 
São Paulo, 27 (AE) - O sociólogo José Pastore, especialista em questões do trabalho e professor da Faculdade de Economia e Administração da USP, e o economista Márcio Pochmann, do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Unicamp, fazem análises otimistas para a economia brasileira no próximo ano, embora com enfoques e ênfases diferentes. Segundo Pastore, o ano 2000 começa com um panorama bastante diferente do verificado no final de 98 e início de 99, com os juros em queda e o câmbio e a inflação mais estáveis.
Pochmann prevê um crescimento moderado do PIB em 2000, o que pouco representará para a abertura de novos postos de trabalho. Para ele, o País ainda não entrou num círculo virtuoso
capaz de garantir um crescimento econômico. Durante a entrevista ao "Espaço Aberto", da Globo News, Pochmann disse acreditar que o País está entrando num cenário positivo para o ano que vem.
"No meu juízo deveremos estar crescendo, ao contrário de 99 e 98, mas é difícil saber qual vai ser este índice (do PIB). Todavia, eu não identifico condições suficientes para estabelecermos um crescimento econômico sustentado", disse. E acrescentou: "É bom que se diga que o Brasil, de 81 até agora, tem vivido uma situação de stop and go; quer dizer, decresce a economia em dois, três anos, depois volta a recuperar... Na verdade, nós não conseguimos sair deste estágio de 81 para cá; e acredito que nós devemos crescer 2%, 3% no próximo ano, mas isso é insuficiente não apenas para gerar os empregos necessários, como para criar uma condição satisfatória para que possamos ingressar num crescimento econômico sustentado, que é isso o que País precisa na verdade".
Pastore, também durante a entrevista à Globo News, afirmou que o ano 2000 está começando muito diferente do ano de 99. "Estamos entrando em um ano com taxas de juros bem menores do que aconteceu no final de 98 e início de 99; o câmbio flutua e está sob controle; a inflação também está razoavelmente controlada, não explodiu como se esperava com a desvalorização cambial... Faltam alguns ingredientes, é claro, para chegarmos a um desenvolvimento realmente sustentável", disse. Para ele, falta "tapar os grandes ralos do governo, das finanças públicas - como é o caso da Previdência Social, cujo déficit é espantoso". E acrescentou: "Chegar ou não chegar ao desenvolvimento sustentado vai depender em grande parte da consecução das reformas".
Ele disse ainda que janeiro é um mês de muita queda na produção. "Mas temos algumas pesquisas entre os empresários, tanto da Fiesp como da CNI, que demonstram que eles estão vendo o primeiro trimestre do ano que vem com possibilidade de vendas estáveis ou maiores do que o último trimestre deste ano", disse.


