São Paulo, 31 (AE) - O professor Márcio Pochman, do Centro de Estudos Sindicais da Unicamp, não acredita que o Plano Plurianual, como foi anunciado hoje pelo governo, possa gerar 8 milhões de novos empregos entre os anos de 2000 e 2003. Segundo ele, seriam necessárias medidas explicítas, voltadas para setores específicos, para a geração de vagas.
"Aparentemente, o governo tem o desejo de criar empregos, mas não anunciou um conjunto de instrumentos que tornem esse projeto realidade", disse Pochman, também cético da possibilidade de que a economia volte a crescer de fato.
Um crescimento de 4% do PIB no ano que vem e de 5% nos anos seguintes, como prevê o governo, não traria uma expansão correspondente do mercado de trabalho. "Isso era verdade até o final dos anos 80. Na década de 90, isso deixou de existir", analisou Pochman. Nos primeiros anos do real, apesar do aquecimento da economia, houve queda do volume do emprego no mercado formal, já que o aumento da produtividade industrial aumentou a taxa de desemprego.
Na opinião de Pochman, seriam necessários instrumentos que estimulassem setores específicos da economia, como o agropecuário, alimentício e da construção civil, que geram muitos empregos quando recebem investimentos. Se, ao contrário, setores industriais forem escolhidos, o número de postos de trabalho será pequeno, segundo o professor.
"O discurso do presidente não anunciou novidades na condução da política macroeconômica e, assim, passa a ser um discurso político de quem busca reverter um cenário de desconfiança e de baixa popularidade", disse o professor.

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