Pobreza no Brasil tem cor, atesta Ipea
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sábado, 07 de julho de 2001
Jacqueline Farid Agência EstadoDo Rio 
O Brasil branco é 2,5 vezes mais rico do que o Brasil negro. A conclusão é de pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgada ontem no Rio e que investigou a desigualdade racial no País. Os dados divulgados no estudo, que revelam profundas diferenças nas condições socioeconômicas entre brancos e negros, levaram o presidente do Ipea, Roberto Martins, a afirmar que a pobreza neste País tem cor e essa cor é negra.
A pesquisa revela que as condições de vida do Brasil melhoraram nos anos 90, mas as diferenças entre brancos e negros não diminuíram. A renda média mensal da população branca é de R$ 400 e a dos negros, de R$ 170.
No início dos anos 90, a pobreza do País estava na faixa de 40% da população brasileira e, após 1995 e até o final da década, caiu para 34%. Mas a participação da população negra (pardos e negros) na pobreza permaneceu bem superior a dos brancos. No total da população indigente em 99, por exemplo, 68,85% eram negros e 30,73% brancos.
O volume de negros pobres é sempre maior, apesar de a população negra do País ser menor (45,33%) do que a branca (54,02%). No que diz respeito à fatia dos pobres, confirmando a hierarquia, os negros têm participação de 63,63% no total, enquanto os brancos são 35,95%.
Martins afirmou que esses dados mostram que são necessárias políticas específicas para a fatia negra da população para promover a igualdade entre brancos e negros. Ele destacou os números referentes à educação, apontando que a taxa de analfabetismo entre os brancos com mais de 15 anos atinge 8,3%, enquanto para os negros é de 19,8%.
O abismo de oportunidades entre negros e brancos existe também no acesso ao ensino superior, por exemplo - no ano de 99, 89% dos brancos entre 18 e 25 anos não haviam ingressado na universidade, ante 98% dos negros.
As distorções no acesso à educação acabam tendo reflexo também no rendimento médio. Segundo o presidente do Ipea, os brancos recebem em média salários que são mais que o dobro dos pagos aos negros. Ele avaliou que essa diferença não é apenas um preconceito de cor de quem contrata, mas de exclusões anteriores acumuladas ao longo das gerações, sendo a principal delas os diferentes níveis educacionais.
Nascer negro no Brasil está relacionado a uma maior probabilidade de crescer pobre, conclui a pesquisa do Ipea. Os resultados do trabalho foram apresentados na Conferência Nacional contra o Racismo e a Intolerância, que será encerrada hoje no Rio.


