Buenos Aires, 8 (AE) - Nunca antes nesta década os argentinos estiveram tão pobres. Segundo o ministério da Economia, desde 1993, a pobreza aumentou 63,2% em Buenos Aires e sua área metropolitana. Enquanto que há seis anos existiam 1,8 milhão de pobres na principal área urbana do país, atualmente o número é de 3 milhões de pessoas.
Ou seja, no momento, 25% dos habitantes da capital argentina e de sua área metropolitana podem ser considerados pobres, o que implica na maior porcentagem da década.
Nos últimos quarenta anos só foi registrado um índice maior em 1989 quando, no meio da hiperinflação, a pobreza alcançou 47,3% da população. Para o ministério da Economia, uma família pobre é aquela que recebe menos de US$ 490 por mês.
Dentro da categoria dos pobres, a pobreza extrema, ou a indigência, quase duplicou, passando de 417 mil pessoas atingidas para 810 mil. Entre 1993 e 1998, a indigência aumentou 66%, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec). Para o ministério da Economia, as famílias indigentes são aquelas que recebem menos de US$ 280 por mês.
Estatísticas do ministério também indicam que são pobres 4,5 milhões de crianças, ou seja, 45% dos argentinos entre 0 e 14 anos. Segundo especialistas, a probabilidade de que uma criança pobre argentina morra antes de fazer um ano de vida é quatro vezes maior que a de uma criança de uma família não-pobre.
O anúncio do ministério coincide com a polêmica criada pelo Igreja argentina sobre os índices de pobreza no país. Segundo um de seus principais líderes, o bispo da cidade de Zárate, monsenhor Rafael Rey, "todos os dias vêm até nós pessoas desesperadas aos quais a angústia pode levar por caminhos errados".
O bispo Rey, que é presidente da Caritas na Argentina, afirmou que baseado em um relatório do Banco Mundial, existem 13,4 milhões de pobres no país, ou seja, 37% da população. O relatório do Banco Mundial realiza a pesquisa em toda a Argentina, enquanto que o governo fica sempre restrito à região da Grande Buenos Aires, onde se concentra quase a metade da população total.
Segundo o órgão internacional, 8,6% dos argentinos (3,2 milhões) não conseguem alimentar-se com as calorias mínimas necessárias. O governo nega estas estatísticas, e comparando a atual situação com a vivida na época da hiperinflação, sustenta que em uma década na presidência, Menem teria reduzido a pobreza à metade.
Nos últimos cinco anos, a economia argentina cresceu 23%. No entanto, embora a produção tenha crescido, a desgualdade social não diminuiu: embora os índices oficiais sobre desemprego ainda não tenham sido divulgados, diversos analistas especulam que 17% da população economicamente ativa não possui trabalho.

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