Pobreza e desemprego ameaçam novas democracias
Nações Unidas, 02 (AE-IPS) - A pobreza, o aumento do desemprego e o menor crescimento econômico ameaçam a estabilidade política das novas democracias nas ex-repúblicas soviéticas e no resto do Leste Europeu, advertiu hoje (02) um estudo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNDU).
Dez anos depois da queda do muro de Berlim, os avanços democráticos na região são significativos, mas ainda vulneráveis e, por causa disso, poderiam ser revertidos, acrescenta o PNUD.
Apesar dos avanços políticos registrados depois do fim da Guerra Fria, "as perdas com relação à segurança humana foram graves", afirma o estudo, intitulado "Transição 1999", que foi centrado principalmente em 25 países do Leste Europeu e nas ex-repúblicas soviéticas.
"É necessário dirigir com urgência a atenção às consequências sociais e desigualdades trazidas com a transição, caso queiremos que os países tenham êxito no século XXI", disse Anton Kruiderink, diretor do Escritório Regional do PNUD para Europa e Comunidade dos Estados Independentes (CEI).
A publicação sublinha que a liberdade política veio acompanhada com a perda de muitos dos direitos sociais e econômicos básicos desfrutados anteriormente (no socialismo) pela população.
"Milhões de pessoas da região estão desempregadas ou sbempregadas. Um grande número de trabalhadores tem empregos mal pagos e inseguros no setor informal", assegura o estudo do PNUD.
Entre 1990 e 1997, apenas na Federação Russa, o Produto Interno Bruto (PIB, soma de todas as riquezas produzidas por um país), diminuiu 41%, a produção industrial caiu 38% e o investimento de capital retraiu 75%.
Em 1998, a dívida externa equivalia a 30% do PIB e a fuga de capitais entre 1991 e 1998 representou US$ 150 bilhões.
Segundo Kruiderink, "ao procurar políticas econômicas uniformes para se conseguir uma distribuição mais eficaz dos recursos, os mecanismos de livre mercado são essenciais, mas também o são os mecanismos para a igualdade social".
O diretor regional do PNUD conclui: "As reformas para se construir economias de mercado florescentes e sustentáveis só terão êxito se forem construídas com o investimento nas pessoas".





