Pobreza de Londrina está escondida
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quinta-feira, 03 de novembro de 2011
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Londrina é uma cidade que engana muito com a sua modernidade, pois possui 72 favelas mascaradas por ilhas de bem estar social. A afirmação é do economista e doutor em Ciências Sociais, Luís Miguel Luzio dos Santos.
Segundo ele, pobreza da cidade está escondida, enquanto em outras cidades como o Rio de Janeiro ou São Paulo ela está lado a lado com a riqueza. '' Quando eu falo para professores de fora que Londrina possui essa quantidade de favelas, eles se assustam. Isso porque ao entrarem e sair da cidade, eles só enxergam a parte moderna, já que a pobreza está oculta nos fundos de vale, distantes do centro'', destaca o professor.
Santos explica que todos os aspectos avaliados pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) são interligados à renda. ''A pessoa que possui renda melhor consegue condições mais favoráveis de vida'', afirma. Ele informa que de cada cinco londrinenses, um vive em situação de miséria ou de pobreza, índice que foge de qualquer aceitação. ''Nós temos dez universidades e isso representa mais cabeças pensando, porém as ações feitas na cidade são realizadas em forma de feudos, de maneira bem localizadas'', critica.
Santos aponta que o Brasil deveria crescer 5% ao ano para que o IDH melhore gradativamente ao longo dos próximos 15 anos, mas diz que não adianta aumentar a renda per capita se a distribuição de renda não acontecer.
O professor destaca que o Brasil já chegou ao 70º lugar no índice de IDH, mas isso quando a Organização das Nações Unidas (ONU) adotava outra metodologia que não levava em conta tópicos como a distribuição de renda. ''A ONU incorporou essa metodologia em 2010, mas mesmo tendo caído em termos de posição, em termos de pontuação, nós temos melhorado e nossa renda por cabeça está acima da média mundial, embora essa média não seja muito elevada''.
Santos afirma que o maior gargalo para que o Brasil suba de posição no IDH é a educação. ''Enquanto o brasileiro estuda em média 7,2 anos ao longo de sua vida, na Noruega, que está em primeiro lugar no IDH, estuda-se em média 12,6 anos, e na Coréia do Sul o tempo de estudo é ainda maior, com 14 anos em média.
O professor destaca que a Noruega investe 7,2% de seu Produto Interno Bruto (PIB) em educação, contra 5% do que é investido nesse setor no Brasil. '' Se formos fazer um retrospecto dos países desenvolvidos, a maioria investiu cerca de 10% do PIB em educação e só depois que eles atingiram um patamar de excelência, alguns se deram o luxo de reduzir o valor investido'', compara Santos.


