Pobreza cresce na argentina, apesar de crescimento industrial
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terça-feira, 22 de fevereiro de 2000
Por Ariel Palacios, especial para a AE (assinatura obrigatória) 
Buenos Aires, 23 (AE) - Paradoxos do modelo econômico argentino, enquanto os índices demonstram uma retomada do crescimento industrial, eles simultaneamente indicam que a pobreza se espalha rapidamente entre os habitantes do país. Segundo o Ministério da Economia, entre outubro de 1998 e outubro de 1999, surgiram 130 mil novos pobres somente em Buenos Aires e sua região metropolitana. Desta forma, o número de pobres na região atinge agora 3,16 milhões de pessoas, ou seja, 26,7% do total de 12 milhões de habitantes da área metropolitana.
Com a disparada do desemprego em 1993, a pobreza começou um crescimento que não parou: naquele ano, era de 16,8% nesse ano na área metropolitana. Entre 1993 e 1999, a surgiu 1,3 milhão de pobres na Argentina, o que indica um aumento de 75% em pouco mais de meia década.
No momento, no primeiro cinturão de subúrbios de Buenos Aires
a pobreza atinge 32,5% da população. No segundo cinturão, a proporção de pessoas que não conseguem dinheiro suficiente para a cesta básica (calculada em US$ 495) alcança 40,2%. Calcula-se que no total do país existam 12 milhões de pobres, ou seja, um de cada três argentinos.
Analistas afirmam que, atualmente, o crescimento da pobreza possui características mais sombrias que em outras épocas desta intermitente crise que assola o país há três décadas: entre os pobres, cresce o número de indigentes, que não chegam a conseguir metade da cesta básica, e que já são 800 mil pessoas na área metropolitana da capital argentina. Em 1993, o número de indigentes era de 3,5% da população. Em 1999 chegou a 6,7%.
Enquanto a pobreza aumentou de 25,6% para 26,7% entre outubro de 1998 e o mesmo mês de 1999, a produção industrial cresceu. Em janeiro deste ano aumentou 3,2% em relação a janeiro do ano passado. Com este, já são três meses consecutivos de crescimento industrial: em novembro de 1999 o aumento foi de 1,3%, e em dezembro, de 8,6%. Os setores industrias que mais cresceram em janeiro são o automotivo (92,9%), fibras sintéticas (78%), alumínio (36,5%), papel (28,7%) e aço (19,8%).


