Rio - Em todo o País, 24 mil crianças e adolescentes vivem em cerca de 800 abrigos, beneficiados pelos recursos da Rede de Serviços de Ação Continuada (Rede SAC), vinculada ao Ministério de Ação Social. Os dados, de 2003, são do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Um levantamento feito este ano pelas ongs Associação Brasileira Terra dos Homens (ABTH) e Excola em 90 abrigos no município do Rio, que acolhem 1.981 crianças e adolescentes até 18 anos, mostrou que 77% deles mantêm vínculo familiar.
Segundo os pesquisadores, a pobreza dos pais é o principal fator de afastamento da família de origem, representando 39,75% dos casos. Por causa da violência doméstica, 28,64% dos meninos são levados para abrigos e 9,73% foram recolhidos na rua. Os outros 21,88% correspondem à insuficiência de serviços para a família, como hospitais e escolas (11,26%), e o envolvimento de jovens e dos próprios pais com álcool e drogas (10,61%).
''Se você olhar por trás de uma criança abandonada, tem uma família que foi abandonada pelo Estado. É preciso mudar o foco da rede social, fornecendo escolas, hospitais e serviços ao núcleo familiar'', entende Enid Rocha Andrade Silva, pesquisadora do Ipea, que coordena um levantamento nacional sobre abrigos para crianças e adolescentes. O estudo deve ser finalizado no fim deste ano.

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