Pobres perderam mais empregos com a globalização
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quarta-feira, 26 de janeiro de 2000
Por Liliana Pinheiro 
São Paulo, 26 (AE) - O Brasil, com 7,7 milhões de pessoas desocupadas segundo o IBGE, já é o terceiro país do mundo em número de desempregados, perdendo apenas para a Índia e para a Rússia. Em 1990, estávamos na oitava posição e em 1995 na quinta. Mas o Brasil não é caso isolado entre as economias mais pobres. Nos últimos 25 anos, o desemprego aberto no mundo aumentou de 2,3% da população economicamente ativa para 5,5%. Contudo, nos países desenvolvidos as taxas aumentaram em média 53% (de 4,04% em 1975 para 6,18% em 1999). Já nas nações não desenvolvidas, esse aumento foi quatro vezes maior, de 200% (a taxa de 1,79% de 1975 saltou para 5,35% no ano passado).
Os dados foram sistematizados pelo professor Márcio Pochmann, pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e da Economia do Trabalho da Universidade de Campinas (Unicamp). A conclusão dele, após se debruçar sobre dados oficiais de ocupação de 141 países do mundo, foi de que o desemprego, embora seja um fenômeno mundial, está cada vez mais presente nas economias periféricas.
"A participação dos países ricos no desemprego foi muito maior até os anos 70 e, nos últimos anos, tem descrescido", afirma Pochmann. Ele lembra, por exemplo, que os Estados Unidos eram o segundo colocado em número de desempregados em 1990, e hoje estão em quinto lugar. Nos últimos 25 anos, com o modelo da globalização econômica, países pobres como a Índia, a Rússia, o Brasil e a Indonésia passaram a ser recordistas em número de pessoas desocupadas.
A diminuição da presença de países desenvolvidos no ranking sobre volume de desempregados é clara nas tabelas elaboradas por Pochmann.
No ano passado, apenas três nações ricas estavam entre as oito recordistas em geração de excedente de mão-de-obra: Estados Unidos, Alemanha e Japão. Em 1975, eram seis os países ricos nesse mesmo ranking: Estados Unidos, Itália, Alemanha, Japão, Reino Unido e França.
No conjunto das 141 nações investigadas, lembra Pochmann em seu trabalho, o total de desocupados foi de 138 milhões de pessoas em 1999, ante 37,8 milhões em 1975, ou seja, o volume de desocupados foi multiplicado por 3,65 vezes. Só que nos países desenvolvidos esse volume nem mesmo dobrou (foi multiplicado por 1,85). Já nos países pobres o número de desempregados quintuplicou: eram 22,3 milhões de pessoas em 1975 e no ano passado somaram 109,5 milhões.
A participação do Brasil cresceu muito. O nosso índice de desemprego (PNAD-IBGE) aumentou 369% -- de 1,73% em 1975 para 9,85% no ano passado. Em pessoas, a conta na década saiu de 2,3 milhão de desempregados em 1990 para 7,7 milhões em 1999.


