Pobres na América Latina atingem 100 milhões, segundo Cepal
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quinta-feira, 02 de dezembro de 1999
Por VLADIMIR GOITIA (assinatura obrigatória) 
São Paulo, 02 (AE) - Recente estudo da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) mostra que já são 100 milhões o número de pobres na América Latina e o Caribe, ou 35% da população da região. O documento mostra ainda que nenhum dos 13 países que fazem parte do estudo (Belize, Bolívia, Brasil
Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Jamaica, Nicarágua, Peru e República Dominicana) conseguiu, até agora, o acesso universal de sua população aos serviços sociais básicos (educação, saúde e água potável).
"Embora a maioria desses países tenha aumentado o gasto público social durante a década de 90, o esforço foi claramente insuficiente", conclui o estudo. Para a Cepal, falta avançar muito, tanto em termos de cobertura como em qualidade e equidade nos serviços sociais básicos. "Para isso, é necessário aumentar o gasto nesses serviços, além de melhorar a eficácia dos programas sociais", acrescenta o estudo "O Gasto Público em Serviços Sociais Básicos na América Latina".
De acordo com a Cepal, o gasto público na região entre 1994 e 1996 chegou a uma média de US$ 225,00 per capita. Desse valor, US$ 73 se referem a serviços sociais básicos (US$ 46,00 destinados à educação, US$ 24,00 à saúde e US$ 3,00 para programas de água potável). Ainda segundo o documento, o gasto em serviços sociais básicos representou 12,4% do gasto público, ou pouco mais de 1/3 do gasto total, que chega, em média, a 36 1% do gasto público. A Cepal afirma que os recursos adicionais para alcançar a meta de cobertura universal dos serviços sociais básicos é de mais 8 pontos porcentuais do gasto total. Ou seja, isso implicaria aumentar o gasto de 12,4% para 20,4%.
No estudo, o Brasil perde para Belize em termos de gastos per capita no acesso aos serviços sociais. Enquanto Belize gasta US$ 189,00 (US$ 101,00 em educação, US$ 84,00 em saúde básica e US$ 4,00 em água potável) o Brasil despende US$ 132,00 por ano per capita (US$ 89,00 em educação, US$ 34,00 em saúde e US$ 8,00 em água potável). Apesar dessa diferença, o Brasil está melhor colocado do que o restante dos países pesquisados. A República Dominicana é a que gasta menos (apenas US$ 19,00 per capita nesse serviços) De acordo com a Cepal, os países desenvolvidos deveriam realizar esforços adicionais para ajudar as nações em desenvolvimento a alcançar o acesso da população aos serviços sociais básicos e, com isso, reduzir a pobreza.


