Ela se chama Sasha.
Alguém já ouviu esse nome?
Com certeza não há quem não o tenha ouvido, tal a publicidade que se deu por ser filha da Xuxa.
Quem escolheu esse nome?
Os pais, presume-se - o pai e a mãe ou somente a mãe. Pelo que se vê da importância com que a mídia notificou o fato, parece que somente a mãe escolheu.
O que se confirma levando-se em conta o nome da cachorra de Xuxa, que se chama Sasha.
Então foi mesmo a mãe.
Alguém dirá - o que é que tem dar o nome do cachorro ao filho?
Na verdade, é raro quem não goste de cachorro e nada há contra esse animal, considerado o melhor amigo do homem ou, como diria Castro Alves, um bicho que chora pelo dono, exceto se quem o tem não cuida convenientemente e, então, a situação passa a ser uma verdadeira sarna!
Agora, chegar ao ponto de dar o mesmo nome da cachorra à filha é morrer de amores pelo animal ou, como diz a moçada, uma tremenda ‘‘gozação’’ com o ser humano!
Tomara que a mãe não tenha optado ou tenha sido movida pela primeira hipótese.
Afinal de contas há muito nome bonito e a meu ver não precisaria colocar o mesmo nome da cachorra na filha, até para conjurar concorrência entre um animal irracional e outro racional e o que é pior, ensejar a que a criança tenha de enfrentar situações constrangedoras e humilhantes.
Tenha-se a idéia destes diálogos:
- Pare de fazer xixi aí Sasha!
- Quem, eu?
- Não filha, a cachorra.
- Sasha, vem já pra cá!
- Quem, eu mãe?
- Não querida, a Sasha, cachorrinha!
- Menina, coitadinha da Sasha. Amanheceu hoje com uma diarréia daquelas!
- Quem, a garota?
- Não, credo, a cachorra!
Já pensaram a seguinte situação na escola, entre as coleguinhas da Sasha, reunidas a uma distância e apontando para a menina:
- Vocês sabiam que o nome da nossa colega é o mesmo da cachorra?
- Não acredito!
- É verdade.
- Será que tem ‘‘pedigree’’?
- Não sei. Acho que não é por isso, não. É que a mãe gosta muito de cachorro.
- Nossa, imaginem que confusão!
E agora, não adianta mais se arrepender ou querer mudar o nome da filha para outro que não seja o mesmo da cachorra.
Isto porque o prenome é, de acordo com a lei, imutável (Lei nº 6.015, de 31.12.73, artigo 58).
Logo, a cachorra da Xuxa e a sua filha Sasha terão o mesmo nome e a mãe carregará os problemas que a sua graça ou não provocou para filha - que é rica -, mas pobre criança, vítima dessa infeliz escolha.
Zanoni de Quadros Gonçalves é magistrado aposentado

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