Pó amarelo faz 17 pessoas passarem mal em Curitiba
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sábado, 14 de fevereiro de 2009
Rafael Urban<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Susto. Com essa palavra Valdemiro Marçal da Silva, o Miro, 45, define a experiência que seus funcionários viveram ontem. Miro é o dono da Rodrigério Comércio de Sucata, no Bairro Rebouças, em Curitiba. No início da tarde, os 360 kg de plástico que um carrinheiro do bairro deixou para venda começaram a ser colocados em uma esteira, onde oito mulheres separam o material, que vai de pvc a garrafas pet. Ao ser aberto o penúltimo saco de lixo preto, um pó amarelo se espalhau sobre a esteira. Acho que o senhor que deixou aqui nem imaginava que tinha aquele tóxico no meio, opina Miro. Quase de imediato, treze dos funcionários que trabalhavam no local tiveram mal-estar.
A mulher que teve o primeiro contato com a substância foi a que teve maiores complicações. Segundo um ofício da Secretaria Municipal de Saúde, os sintomas incluíram falta de ar, vômito, ardência dos olhos e das mucosas nasais, tontura, amortecimento e mal-estar geral. Conforme o documento, a substância somava cerca de dois quilos. Nós mexemos mais com sangue e análise de drogas. Ainda não sabemos se temos as condições de segurança para analisar o material, comenta Márcio Borges de Macedo, 40, diretor administrativo do Instituto de Criminalística do Paraná, que recebeu o ofício e o pó amarelo por intermédio do Corpo de Bombeiros. A substância segue guardada em um saco de lixo preto dentro de uma caixa de madeira hermeticamente fechada.
Não suspeito o que seja, afirma Moacir Gerolomo, diretor do Centro de Epidemiologia da Secretaria de Saúde do município. Pode ser um produto utilizado para produção de inseticida ou de limpeza. Quando diluído pode não ser tóxico, mas é nocivo se concentrado. Gerolomo lembra que o descuido com esse tipo de substância é considerado crime ambiental.
O carrinheiro que deixou o material no barracão não soube dizer onde encontrou a embalagem que levava a substância. Todos já voltaram ao trabalho na tarde de ontem.
Além dos funcionários do local, um médico, um enfermeiro e dois auxiliares da Unidade de Saúde do Capanema também inalaram o pó amarelo e tiveram dificuldades respiratórias. A paciente em estado mais severo veio até a unidade acompanhada de sua mãe. Trouxeram uma amostra em um frasco de remédio e o pessoal abriu com a curiosidade natural de ver qual era a substância, conta o médico Romeu Bertol, 63, que também participou do atendimento. Segundo ele, as outras onze pessoas aguardavam no barracão e apresentaram sintomas mais leves. Foram levadas de ambulância para três centros de saúde e liberadas ainda na quinta-feira.


