Pnud quer usar atuação no Brasil como modelo no mundo
Pnud quer usar atuação no Brasil como modelo no mundo13/Mar, 18:50 Por Cláudia Dianni Brasília, 13 (AE) - O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), quer utilizar sua atuação no Brasil como modelo para a reforma da instituição no resto do mundo. O administrador do Pnud, Mark Malloch, que visita o Brasil esta semana, reuniu-se hoje com o presidente Fernando Henrique Cardoso e com a primeira-dama, Ruth Cardoso, para discutir a vocação da instituição nos próximos anos e o "papel do Brasil como país chave no novo modelo de cooperação internacional", conforme afirmou. O projeto do Pnud é reduzir em 50% a probreza no mundo até 2015. Para isso, a América Latina teria de registrar um nível de crecimento 30% maior do que vem registrando, a áfrica dobrar seu crescimento econômico e a ásia voltar aos níveis de crescimento registrados no início da década de 90, conforme disse Malloch. "O programa no Brasil é estrategicamente importante", comentou. "Quando vemos o programa do Pnud no Brasil, vemos o futuro". Cooperação - O Pnud tem mais de cem projetos de cooperação e desenvolvimento em 130 países e sua maior representação está localizada no Brasil. De acordo com Malloch, a tendência no futuro é de promover a cooperação para o desenvolvimento social e econômico de forma "global" ou "sul-sul", como qualificou. De acordo com esse modelo, países pobres e em desenvolvimento trocariam experiência e tecnologia entre si. Segundo ele, o Brasil, por meio de projetos como os de educação desenvolvidos pelo Comunidade Solidária e dos projetos de cooperação tecnógica desenvolvidos pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), está inserido nesse novo modelo. Atualmente, o Brasil utiliza o Pnud mais como um consultor para desenvolver projetos para os quais o governo oferece recursos como contra-partida (geralmente 50% do valor do projeto). Além disso, o Pnud atua no Brasil como agente de captação recursos em instuições internacionais como Banco Mundial (Bird) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Doações - A partir do ano que vem, o Pnud vai suspender as doações ao Brasil para programas de cooperação social a fundo perdido (doações). De acordo com os critérios do programa, o País já atingiu um nível de maturidade econômica que não justifica doações a fundo perdido. O critério do Pnud é a renda per capita anual, que não pode ultrapassar a US$ 5.000,00. No ano passado, a renda per capita do Brasil foi de US$ 5.334,00. O programa destina cerca de US$ 400 mil anuais para programas de cooperação social no Brasil. O representante do Pnud no Brasil reconheceu, porém, que esse não é o critério mais justo para se medir a pobreza em um país, mas que é preciso obedecer um critério uma vez que os recursos são escassos. O orçamento anual do Pnud para doação a fundo perdido é de US$ 260 milhões por ano. Desse total, 50% é destinado à áfrica. Ele lembrou, por exemplo, que, no Brasil, 24 milhões de pessoas vivem com menos de US$ 1 por dia e 50 milhões com menos de US$ 2 por dia. "O que faz que, em termos absolutos haja mais pobres no Brasil do que em países considerados mais pobres", comparou.





