Hong Kong - Centenas de milhares de pessoas se manifestaram ontem na Ásia por motivo do Primeiro de Maio, mas a festa do Trabalho foi ofuscada pela epidemia de pneumonia asiática, que causa estragos à economia da região, gerando um grande índice de desemprego. Algumas manifestações foram canceladas, devido ao temor do vírus que afeta essencialmente a região e cujo avanço continuou ontem, com novas mortes, novos casos registrados e vítimas econômicas.
Na China, onde o Primeiro de Maio é uma das principais festas do regime comunista, Pequim parecia uma cidade fantasma. A semana de férias anual nesta época do ano foi reduzida para deter a propagação do vírus e a maioria das pessoas ficou em suas casas.
Os locais de manifestação como a Cidade Proibida, ou a Praça da Paz Celestial, estavam quase desertos, sem as costumeiras multidões, algo nunca visto desde a repressão do movimento democrático em 1989.
Em Cingapura, o primeiro-ministro Goh Chok Tong estimou que o mercado de trabalho não dará sinais de melhora antes do próximo ano, devido à síndrome respiratória aguda severa (Sars) e à guerra no Iraque. Na vizinha Malásia, 2 mil pessoas se manifestaram em Kuala Lumpur contra as ameaças de demissões.
Em Hong Kong, as perspectivas também eram sombrias. Com uma taxa de desemprego de 7,5%, Lee Cheuk-yan, secretário geral da entidade sindical Confederation of Trade Unions, declarou em uma manifestação que a Sars vai agravar a situação. ''Esta festa do Trabalho é particularmente triste, com 10 mil desempregados e outros 60 mil em férias forçadas, sem salário, devido à crise da Sars'', disse.
Na Indonésia, milhares de pessoas se manifestaram e pediram a saída da presidenta Megawati Sukarnoputri e de seu ministro do Trabalho, acusados de indiferença ante a situação dos trabalhadores, principalmente dos imigrados vítimas da pneumonia. Em Taiwan, onde cerca de dez mil trabalhadores estavam organizando uma manifestação, os sindicatos cancelaram as concentrações populares, devido à epidemia.
Em outros países da Ásia menos afetados, as manifestações tradicionais tiveram como tema principalmente os direitos dos trabalhadores.

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