Rio - O transporte aéreo mundial deverá encolher este ano, já que a situação da aviação piorou do ano passado para cá não só por causa da guerra do Iraque, mas também por causa da pneumonia asiática. Essa avaliação é feita por grandes fabricantes de aviões, como a Embraer e a Airbus.
Esse quadro fez o presidente da Embraer, Maurício Botelho, rever a previsão de quando as encomendas à empresa brasileira vão melhorar. Em julho, Botelho esperava uma recuperação ao final de 2004. Agora, já prevê que isso só ocorrerá em meados de 2005. ''Quem esperava a pneumonia aguda na Ásia?'', questionou.
Botelho comentou que as empresas fortes na área do Oceano Pacífico estão perdendo vôos. ''A Northwestern e a United estão voando vazias'', disse o executivo, sobre as duas empresas que fazem muitos vôos entre os Estados Unidos e a Ásia. Para ele, o adiamento do pedido da indiana Jet Airways, de dez aviões Embraer-175, reflete a situação da indústria. Ele ressalvou que o negócio com a empresa asiática não estava considerado nos números da empresa, uma vez que não foi assinado contrato.
Botelho destacou que a indústria de aviação está em crise, ''mas não é toda ela''. Ele observou que segmentos regionais são lucrativos e estão crescendo. ''Não é que esteja tranquilo, mas têm segmentos crescendo.''
A crise no setor começou em 2001 com os atentados terroristas nos Estados Unidos. Naquele ano, a Embraer tinha como alvo vender 200 aviões, mas vendeu 161. Em 2002, vendeu 131. As previsões para 2003 e 2004 são de 132 e 136, respectivamente.
O grupo europeu Airbus mantém a projeção de longo prazo de crescimento médio anual de 4,7% nos próximos 20 anos para o setor, segundo a assessoria do grupo no Brasil. No lugar de crescer 1%, conforme previsto pela Associação Internacional de Transportadoras Aéreas (Iata, na sigla em inglês), o tráfego mundial deverá recuar este ano, segundo a assessoria da Airbus no País. A própria Iata já reconhece que a penumonia asiática está afetando severamente o tráfego na região da Ásia.
Apesar de a Embraer se preocupar com o problema como fabricante, a situação é outra para as empresas brasileiras de aviação civil. ''Não há reflexo ainda'', disse o presidente do Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea), George Ermakoff. A expectativa do executivo é de que o problema fique restrito aos mercados da região asiática e que o movimento internacional dos vôos a partir do País se mantenha, apesar da queda do tráfego global.

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