Brasília, 12 (AE) - O Pensamento Nacional das Bases Empresariais (PNBE), entidade formada por empresários brasileiros de vários setores, deve consultar o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre a concessão de benefícios estatais para estimular a instalação de fábricas em algumas regiões do País. O primeiro-coordenador-geral do PNBE, Márcio Valente, disse que a decisão de consultar o Cade foi anterior à discussão sobre os incentivos para a instalação da Ford na Bahia. "Mas esse episódio só reforça a necessidade de o País posicionar-se sobre esse tipo de ajuda", afirmou. Segundo Valente, a guerra fiscal torna a concorrência desleal e provoca uma perda de receita. O coordenador do PNBE disse ainda que, se representasse uma montadora, reclamaria contra a eventual ajuda dada à Ford.
Em Brasília, há a expectativa de que o Cade possa ser provocado por alguma empresa que se sinta prejudicada com os eventuais benefícios concedidos à Ford. Hipoteticamente, concorrentes da montadora podem pedir ao sistema de defesa da concorrência brasileiro que tome alguma medida contra o acordo para instalação da fábrica por considerarem que as condições do contrato são anticoncorrenciais. Esse tipo de reclamação poderia ser feito, por exemplo, por uma montadora que não recebeu os mesmos incentivos concedidos à Ford.
Problemas concorrenciais decorrentes do acordo com a Ford foram levantados na sexta-feira pelo governador Mário Covas. Ele disse que a concessão de empréstimo e a isenção de pagamento de impostos para a Ford poderiam provocar uma "concorrência predatória". O governador afirmou que o automóvel produzido na Bahia poderá custar menos do que os outros, mesmo com a inclusão do frete.
Uma fonte do governo federal alertou que essa diferença de tratamento pode fazer com que os carros da Ford sejam colocados no mercado a preços mais baixos do que os veículos produzidos por outras montadoras. Segundo a fonte, isso não deverá ocorrer pela atuação da empresa, mas pela ajuda estatal.

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