Rio, 12 (AE) - Os primeiros resultados da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios de 1998 (PNAD-98) deverão apontar agravamento nos níveis de pobreza ocorrido antes da crise de janeiro, afirmou hoje a pesquisadora Sônia Rocha, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A tabulação da sondagem não acabou, mas números da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) mostram acelerada extinção de postos de trabalho para pessoas com menos instrução.
A pesquisa de Sônia constatara que, no pós-Real, o porcentual de brasileiros miseráveis caiu de 30% para 20%, de 1993 a 1995, processo que parece interrompido ou revertido.
"O número de postos de trabalho para pessoas com qualificação de zero a quatro anos (de escolaridade) está minguando muito rapidamente", afirmou. Ela avaliou que, após a crise do real de janeiro, o quadro de aumento nos níveis de pobreza deve ter agravado-se ainda mais. "O País perdeu 1,2 milhão de postos de trabalho (para trabalhadores menos qualificados) em quatro anos, desde 1995, nas áreas metropolitanas", disse. Sônia participou do primeiro dia do Seminário Desigualdade e Pobreza no Brasil, promovido pelo Ipea, no Hotel Glória, no Rio. Amanhã (13), participará do encontro a primeira-dama Ruth Cardoso. A pesquisadora ressaltou, porém, que dentro das mesmas famílias, há compensações de renda. "O que vemos na PME são pessoas que têm outras rendas, têm Previdência", afirmou. "Há pessoas com baixa instrução, mas seu filho estudou mais, tem um emprego melhor." Segundo ela, o efeito de redução na pobreza manteve-se ao longo de 1995, 1996 e 1996, com diferenças localizadas. "Por exemplo, piorou em São Paulo, que sofreu muito o baque da reestruturação produtiva, e melhorou em outras áreas, como Centro-Oeste e na Região Sul."

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