Curitiba- Cerca de 90 policiais militares cercaram a Fazenda Santa Filomena, na divisa entre os municípios de Planaltina do Paraná (57 km a oeste de Paranavaí) e Guairaçá (26 km a noroeste de Paranavaí), onde um integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) morreu e outros seis ficaram feridos na madrugada de sábado.
Os policiais fizeram dois bloqueios dentro da fazenda onde um grupo de 350 sem-terra está acampado, mesmo depois do conflito com os seguranças da fazenda. Os policiais fazem rodízio para evitar novos conflitos. ''Nosso papel é evitar possíveis confrontos e reestabelecer a ordem na propriedade'', disse o capitão Antônio Olímpio Ramiro Lima, que está no comando da operação.
A Polícia Militar está em constante negociação com os sem-terra e com os fazendeiros. Ontem pela manhã, representantes do MST acompanharam o sepultamento de Elias Gonçalves de Meura, de 20 anos, que foi atingido quando entravam na fazenda e acabou não resistindo aos ferimentos. ''Foi muito triste. O episódio só acabou confirmando aquilo que a gente já alertava: existe milícia armada no Noroeste do Paraná. Essa é uma prática constante entre os latifundiários. Entretanto foi uma triste surpresa para nós esse episódio. Não esperávamos tanta violência'', confessou ontem Roberto Baggio, um dos coordenadores estaduais do MST.
Sábado à tarde, um grupo de fazendeiros protestou contra as invasões rotineiras na região. Eles acusam o MST de incentivar a violência e alegam que os integrantes do movimento teriam entrado na Fazenda Santa Filomena dando tiros. A propriedade tem cerca de 1.797 hectares e foi considerada improdutiva pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
O superintendente do Incra no Paraná, Celso Lisboa de Lacerda, disse ontem que tem absoluta certeza de que a fazenda é improdutiva e poderia servir para fins de reforma agrária. Desde 1997, a produtividade da área está sendo discutida na Justiça. O processo aguarda parecer do Tribunal Regional Federal (TRF) de Porto Alegre (RS). Nessa fazenda, o Incra estima que poderia assentar 150 famílias.
O delegado Nabor Sottomaior, designado para cuidar da morte do sem-terra, já ouviu o capataz Aparecido Mendes da Silva, de 41 anos, que chegou a ser detido. Ele foi ouvido e liberado. Os autores dos disparos foram identificados e estão foragidos.

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