PMs suspeitos de matar mendigos são presos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de setembro de 2004
Folhapress 
São Paulo, SP- O juiz do 1º Tribunal do Júri, Rui Porto Dias, decretou ontem a prisão temporária, para investigação, de dois policiais militares e de um segurança suspeitos de envolvimento nos ataques contra moradores de rua de São Paulo, ocorridos em agosto.
Os soldados Jayner Aurélio Porfírio, da 5 Cia do 2º Batalhão, e Marcos Martins Garcia, da 5 Cia do 7º Batalhão, já estão detidos na Corregedoria da Polícia. O juiz decretou prisão temporária de 30 dias para os PMs.
No caso do segurança Manoel Alves Tenório, tio de um guarda-civil, a Justiça decretou dez dias de prisão temporária. Ainda não há confirmação sobre o envolvimento do guarda nos crimes.
Ataques ocorridos nas madrugadas dos dias 19 e 22 de agosto na região central da capital deixaram sete moradores de rua mortos. As vítimas foram golpeadas na cabeça.
Para pedir a prisão dos suspeitos, a polícia usou como base depoimentos de testemunhas oculares, que viram os PMs -que não estariam fardados- em alguma situação suspeita. Segundo o secretário da Segurança, Saulo de Castro Abreu Filho, as testemunhas não são sobreviventes das agressões.
De acordo com o secretário, não é possível afirmar que foram os próprios policiais que agrediram os moradores de rua. Os PMs seriam comandantes de um esquema de segurança clandestina na região central da cidade. Eles teriam envolvimento, ainda, com tráfico de drogas.
A Secretaria da Segurança afirma que o soldado Marcos Martins Garcia está de licença médica por depressão. Já Jayner Aurélio Porfírio atuava em função administrativa.
Na última sexta-feira, a polícia cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa do segurança clandestino Manoel Alves Tenório. Os investigadores não encontraram nenhum objeto que poderia ter sido usado como arma para agredir as vítimas, mas localizaram um uniforme preto, compatível com os descritos por feridos e testemunhas dos ataques ocorridos no dia 19.
No último dia 9, o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Saulo de Castro Abreu Filho, afirmou, em entrevistas coletivas, que as investigações deverão ser concluídas antes que o caso complete um mês. ''De 30 dias (a investigação) não passará. E não passará mesmo. Em 30 dias nós vamos resolver esta questão'', disse ele.


