Por Roberta Pennafort, especial para a AE
Rio, 17 (AE) - Os cinco policiais militares suspeitos de terem disparado o tiro que matou a estudante Anny Marie Barros Vieira, de 14 anos, na tarde de domingo, estão detidos no 16º Batalhão de Polícia Militar, em Olaria. A menina foi atingida no pescoço por uma bala de fuzil quando estava no quintal de sua casa, em Inhaúma, na zona norte do Rio. Os policiais, presos hoje, alegam que foram atacados por traficantes, mas os moradores dizem que eles já chegaram ao local atirando.
O secretário estadual de Segurança Pública, coronel Josias Quintal, admitiu que pode ter havido um erro da PM. "Não podemos prejulgar, mas me parece que houve erro; dependemos da conclusão da apuração que está sendo feita", disse Quintal. "Essas ações desastradas não podem contniuar ocorrendo, mas num universo de 40 mil policiais é evidente que uma ou outra falha aconteça". O secretário garantiu que o caso será apurado "com rigor".
Segundo o comandante do 16º BPM, coronel Antônio Carlos Suarez David, o grupo contou que fazia patrulhamento na Rua Jaó (entrada para o Complexo de favelas do Alemão), onde Anny morava
quando avistou um automóvel ocupado por suspeitos. Os homens teriam disparado tiros contra o carro da PM e eles então revidaram. O tiro que atingiu a estudante furou o portão de ferro de sua casa e a matou antes mesmo de ela chegar ao hospital. Anny, que cursava a 8ª série numa escola da região, foi enterrada hoje à tarde.
Revoltados com a ação da polícia, moradores fecharam ao trânsito a Estrada Velha da Pavuna na noite de domingo e incendiaram um ônibus da Viação Estrela Azul, que trafega pelo local. Os policiais que chegavam para controlar a situação eram expulsos sob gritos de "assassinos" e "banda podre". Segundo informações recebidas pelo 16º BPM, a ação teria sido ordenada por traficantes que controlam o comércio de drogas no Complexo do Alemão, chefiados por Levi Batista da Penha, o Baby. Perícia - O comandante David espera resultado das perícias cadavérica e de balística para saber se o tiro que matou Anny saiu ou não de um fuzil da PM. A mãe da menina, Rosemary Vieira, contou que Anny se preparava para dar banho no cachorro quando gritou por socorro. Ela afirmou que os policiais atiravam a esmo. "Foram só eles que dispararam; um perito tem que vir aqui para checar as balas recolhidas por nós", disse Rosemary. De acordo com o comandante, os moradores lhe entregaram apenas uma cápsula, de fuzil. Parentes da estudante disseram que, logo após a morte de Anny, viram policiais recolhendo outras cápsulas do chão, para que eles não fossem responsabilizados pelo crime. Hoje, o comandante recebeu denúncias da população que vive na área. Eles acusam policiais do 16º BPM de achacá-los e humilhá-los diariamente. O coronel disse desconhecer tais procedimentos. "Estou à disposição para ouvir qualquer reclamação; nada chegou aos meus ouvidos até hoje", disse o coronel, que esteve no enterro de Anny. "Sou solidário à dor dessa família", afirmou.

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