Curitiba - O Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ligado ao Ministério Público (MP) do Paraná, prendeu ontem 11 pessoas, sendo três policiais militares, suspeitas de tráfico de drogas, roubo de veículos, corrupção e posse ilegal de armas. Além de Curitiba, a operação Hurt Locker (que faz referência ao filme "Guerra ao Terror") ocorreu em São José dos Pinhais, Campo Largo e Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba. Os mandados foram expedidos pela 14ª Vara Criminal da Capital. Os nomes não foram divulgados. Os oficias estão lotados no 13º e no 23º Batalhões e, conforme a própria PM, têm entre cinco e sete anos de serviço.
De acordo com o coordenador do Gaeco, Leonir Batisti, não se trata de uma ação homogênea, nem de uma quadrilha típica. Os promotores estavam investigando outra situação, quando se depararam com as irregularidades. "Já faz alguns meses; não sei precisar quantos. Estávamos tentando alinhavar, relacionar uma coisa com a outra, já que se trata de crimes diferentes", explicou. Foram cumpridos também 25 mandados de busca e apreensão e 12 de condução coercitiva. Destes, seis aconteceram em residências de PMs e outros três em casas de policiais civis. O Gaeco efetuou, ainda, buscas na carceragem do Batalhão da Polícia de Guarda, em Curitiba. "Identificamos pessoas que roubavam carros e cediam armas. Circunstancialmente, os policiais deixavam de agir, mediante algum benefício, como dinheiro", completou.

OUTRO LADO


Procurado pela FOLHA, o comando-geral da PM informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não compactua com desvios de conduta e que está buscando o saneamento da tropa. Segundo a corporação, se comprovada alguma participação dos agentes em qualquer delito, eles serão responsabilizados. No caso específico da Hurt Locker, o órgão disse que forneceu todas as informações necessárias e agiu conjuntamente com o Gaeco, via corregedoria, o que culminou com as prisões.
A Corregedoria Geral da Polícia Civil (CGPC) emitiu nota, garantindo que apoiou a operação e que pretende punir qualquer ato contrário às regras de conduta da instituição. "Trata-se de uma investigação referente a práticas de diversos crimes, através de um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) conduzido por um promotor de Justiça. A CGPC solicitou uma cópia do procedimento para conhecimento integral dos fatos. Os policiais civis responderão por um procedimento administrativo interno, que apurará as responsabilidades no âmbito
administrativo".

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