São Paulo, 27 (AE) - Um cabo, um tenente e dois soldados da Polícia Militar foram presos em flagrante, no início da manhã de hoje, acusados de duplo assassinato, em São Bernardo do Campo, quando estavam em serviço. Foram mortos dois rapazes, um de 16 anos e outro de 19. Outro menor, A.A.S., de 16, escapou porque fingiu estar morto. Ele conseguiu chegar ao Pronto-Socorro Municipal, com a ajuda de moradores do bairro Parque Seleta, onde havia sido abandonado, e de outros PMs.
A. procurou uma base comunitária da PM e foi auxiliado pelo policial de plantão, que relatou o caso a seus superiores. Segundo a versão do sobrevivente, ele e os dois amigos andavam pela Rua Jurubatuba, por volta das 2h30, no centro de São Bernardo, quando foram abordados pelos quatro policiais da Força Tática do 6.º Batalhão da Polícia Militar/Metropolitano (BPM/M). Detidos, os jovens foram levados para a Estrada do Montanhão, na periferia.
A. contou que os PMs pararam o carro, mandaram os três saírem e tirarem as roupas. Em seguida, atiraram nas vítimas. Ele afirmou, ainda, que os dois mortos tinham passagens pela polícia por roubo.
Diante da denúncia, os policiais acusados foram chamados ao batalhão, desarmados e detidos. A Corregedoria da PM participou da investigação e confirmou a versão da vítima. Dois dos policiais foram reconhecidos pelo sobrevivente "com certeza total" e os outros dois "quase com certeza".
Os quatro PMs, entretanto, negaram o crime durante o interrogatório no 6.º Batalhão. O flagrante foi lavrado pelo próprio comandante do batalhão, Alexandre Melchior. As armas usadas por eles serão enviadas para exame de perícia. O flagrante também foi acompanhado por um promotor de Justiça.
"A PM lamenta o fato, ninguém pode exceder os limites da lei e aqueles que o fazem não são profissionais dignos de respeito"
comentou o comandante da Corregedoria da PM, Luiz Carlos Guimarães. "Acima de tudo, a corporação está preocupada com a integridade física do cidadão."
À noite, a Seção de Relações Públicas da Polícia Militar divulgou nota oficial na qual também lamenta o ocorrido. Até as 21 horas, o nome dos policiais acusados do crime não haviam sido divulgados pela PM.

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