Nove policiais militares estão presos desde sexta-feira no Rio acusados de participarem de espancamentos e tentativas de extorsão. As denúncias foram feitas por três supostas vítimas. No primeiro caso, o pedreiro José Nilton Gomes, 38, disse ter sido espancado por policiais do 22º Batalhão da PM por ter se negado a pagar R$ 10 mil em troca da sua libertação.
Ele foi preso por três policiais fardados e um à paisana na manhã de sexta-feira em um bar próximo a sua casa, na zona norte. Gomes disse ter sido identificado como um suposto traficante conhecido como Baianinho. O pedreiro teria sido levado para o Corpo de Policiamento da Favela Mandela, onde teria sido espancado por duas horas.
Ele continuou apanhando de dois policiais, enquanto os outros marcavam um encontro com sua família. Segundo a Delegacia Judiciária da Polícia Militar, a irmã de Gomes recebeu na própria delegacia a chamada telefônica marcando o encontro.
A equipe da DPM foi até o local com a família, mas os cinco PMs ligaram de novo desmarcando o encontro. A DPM então prendeu os policiais no momento em que eles entregavam José Nilton Gomes na delegacia da Polícia Civil da área. Os sargentos Luiz Henrique Lima da Silva e Humberto Bandeira da Costa, os cabos Cláudio Márcio Nascimento e o soldado Sandro Leite de Paula estão presos no Batalhão de Choque da PM.
José Gomes disse ontem que vai continuar denunciando o caso. ‘‘Não quero que aconteça com mais ninguém. Falei a verdade e fui espancado’’ , afirmou o pedreiro.
No segundo caso, os policiais Hermes Ramos de Carvalho, Marcelo Rodrigues Neves, Arlei Pereira e Valda Santos Paes foram presos em flagrante na noite de sexta-feira, em Jacarepaguá, acusados de tentar extorquir R$ 2 mil de Marcelo Moreira Reis e Anderson de Paula Reis.
No último dia 17, Marcelo e Anderson foram presos pelos quatro PMs na Cidade de Deus. Eles teriam sido levados para a favela da Chacrinha, onde teriam sido espancados. Os policiais teriam pedido R$ 50 mil pela libertação. Como os dois não tinham o dinheiro, os PMs teriam dado prazo de uma semana e baixado o valor para R$ 2 mil.
Marcelo e Anderson Reis teriam visto a carteira de identificação de um dos homens do grupo e suspeitado que era um documento da Polícia Militar. Eles aproveitaram o prazo combinado para fazer a denúncia à DPM, que montou o flagrante e prendeu os policiais.
Os quatro policiais acusados nesse caso também estão presos no Batalhão de Choque. Todos os nove policiais acusados devem responder a processos administrativos e podem ser expulsos da corporação, além de ser processados na Justiça comum sob acusação de extorsão.

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