PMs são investigados por abuso de autoridade e tortura
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sexta-feira, 13 de novembro de 2015
Luiz Guilherme Bannwart<br> Especial para a FOLHA 
Joaquim Távora - A Polícia Civil de Joaquim Távora, no Norte Pioneiro do Paraná, instaurou inquérito para investigar se houve abuso de autoridade e crime de tortura praticados por três policias militares do 2º Batalhão, com sede em Jacarezinho, durante o atendimento a uma ocorrência no dia 1º de novembro, no município. Um vídeo entregue esta semana ao delegado Rubens José Perez, titular da 35ª Delegacia Regional de Polícia, mostra um dos PMs agredindo um morador com um soco no rosto e depois o imobilizando para prendê-lo sob acusação de desacato e resistência à prisão.
De acordo com o delegado, a PM teria sido chamada para conter um tumulto na Rua das Rosas, no bairro Centro de Eventos, após a realização de uma cavalgada promovida por organizadores da Festa de Peão do município. Segundo informações da Polícia Civil, no local havia pessoas consumindo bebida alcoólica e com som alto perturbando os moradores.
Uma equipe da Ronda Tático Motorizada (Rotam) foi a primeira a chegar no endereço e abordou o grupo, ordenando que dois homens e uma mulher permanecessem em posição de rendição virados para a parede do imóvel. Entre os suspeitos estava o professor de educação física Luan Batista, que perguntou a um dos policiais se ele possuía mandado judicial para a ação, já que todos estavam no quintal de uma residência. A pergunta irritou o PM, que desferiu um soco no rosto do professor.
Batista recebeu voz de prisão e foi encaminhado à delegacia, onde diz ter sido vítima de tortura praticada pelos policiais. O professor conta que teve a camiseta rasgada pelo PM que o prendeu, que em seguida o agrediu com tapas no rosto. "Vou te apresentar o mandado judicial que tenho para trabalhar", teria falado o policial à vítima antes das agressões que, segundo Batista, foram presenciadas por um investigador da Polícia Civil.
O delegado informou que as investigações estão adiantadas e que o inquérito deve ser concluído no prazo previsto. "Estamos ouvindo todos os envolvidos e o inquérito deve ser finalizado em 30 dias. O investigador citado pela vítima está de férias, porém já foi intimado e deve prestar depoimento nos próximos dias para confirmar se realmente houve tortura, pois as imagens apresentadas revelam a agressão por parte do policial", disse Rubens Perez.
O capitão Márcio Jaquetti, relações-públicas do 2º Batalhão de Polícia Militar de Jacarezinho, informou que foi instaurada uma sindicância para apurar as denúncias, que poderão resultar na abertura de um inquérito policial militar (IPM) ou medidas administrativas. "Um levantamento de toda a situação já está sendo realizado. Estamos reunindo documentos, que irão definir qual procedimento será adotado. Assim que os trabalhos forem concluídos, o resultado será encaminhado ao Ministério Público", disse o oficial.


