PMs são alvos de buscas em investigação sobre incêndio
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quarta-feira, 18 de setembro de 2019
Rafael Costa - Grupo Folha 
Curitiba - O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e a Corregedoria da Polícia Militar cumpriram, nesta quarta-feira (18), 19 mandados de busca e apreensão em residências de policiais militares investigados na Operação Tális, que apura três mortes e um incêndio que destruiu mais de cem casas em uma ocupação na CIC (Cidade Industrial de Curitiba), conhecida como Vila Corbélia ou 29 de Março, em dezembro de 2018.
As buscas ocorreram em 16 endereços na capital e outros três em Araucária, Ponta Grossa e São José do Seridó — município do Rio Grande do Norte onde vive um dos policiais militares investigados, em licença desde a época do episódio em investigação.
Quatro pessoas — três delas, soldados da PM — foram presas em flagrante por posse de armas irregulares e drogas. Procedimentos relacionados aos objetos apreendidos serão instaurados pela corregedoria. As armas passarão por exames de balística para verificar se correspondem a disparos feitos durante o episódio, em dezembro. Foram apreendidos principalmente celulares.
“Essas buscas têm o objetivo de encontrar provas ou evidências probatórias consistentes, principalmente na verificação das comunicações que as pessoas fizeram naquela sequência ou na antecedência dos fatos”, disse o procurador de Justiça e coordenador do Gaeco, Leonir Batisti. Em coletiva de imprensa nesta quarta, no Gaeco, ele esclareceu que trata-se de uma “averiguação” de pessoas “cujos nomes surgiram e podem ter algo a ver” com os fatos.
A operação teve outros dez mandados de busca e apreensão cumpridos em janeiro. Segundo Batisti, a quantidade de suspeitos desde o início da operação aumentou, mas não há um número definido — podendo ter ocorrido novos mandados para alvos já incluídos na fase anterior. A averiguação poderia chegar a até 20 pessoas que tiveram alguma passagem pela ocupação durante o episódio, estimou o procurador.
“Foi um evento coletivo, com uma série de pessoas que estavam ali. Precisamos mensurar em qual medida estas participaram ou não”, disse Batisti, para quem a investigação está “bastante avançada”. “Pensamos que estamos avançando para concluir”, afirmou.
O réu pelo assassinato do policial militar Erick Norio, no dia 6 de dezembro — fato que deu início à série de eventos que culminou com o incêndio na ocupação — vai a julgamento no dia 25, no Tribunal do Júri. “Essa questão foi mais facilmente resolvida”, disse o procurador. “A morte dos demais e o incêndio são uma coisa mais complexa, inclusive pelo volume de pessoas que poderiam ter participado de alguma forma.”
A sequência de acontecimentos relacionados ao incêndio, ocorrido no dia 7 de dezembro, incluiu a ocupação da vila pela polícia, disparos contra um motorista de aplicativo e a morte de dois moradores.
Membros da comunidade denunciaram abusos e atribuíram o incêndio a policiais. A suspeita está sendo investigada na operação, que corre em sigilo, disse o comandante do 1º CRPM (Comando Regional de Polícia Militar), coronel Hudson Teixeira, “Essas buscas foram feitas justamente para que se tenha mais provas da participação ou não de PMs nessa situação”, disse. “Alguns deles podem ser presos ou não.”


