PMs são acusados de agredir sem-terra
James Alberti
De Curitiba
Cerca de 60 sem-terra, que ocupariam uma fazenda de 1,2 mil alqueires no município de Palmas, sul do Estado, afirmam ter sido espancados numa desocupação ilegal feita pela Polícia Militar. Elas teriam errado o endereço da fazenda e, ao invés de ocupar a fazenda indicada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), entraram numa área que pertence a empresa Madepar que tem grande força política na região.
Em menos de 24 horas, os sem-terra foram retirados pela PM e levados de volta para Lindoeste, próximo a Cascavel, no oeste do Estado. A transferência para a fazenda indicada pelo Incra teria sido negada. Dos 22 homens que estavam no local, oito foram presos. Dois estavam presos até o meio-dia de ontem na delegacia de União da Vitória. Foi um massacre fora-da-lei, disse o secretário do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do município de General Carneiro, Rogério Santana, que acompanhou o caso. Os homens foram deitados no chão, algemados e surrados, afirmou.
A superintendente-adjunta do Incra, Maria Rozalina Arend, confirmou que as famílias iriam para uma fazenda indicada pelo órgão. Ela disse, porém, que elas não teriam gostado da área e procuraram outra. Maria Rosalina, que disse ter acertado com a polícia a retirada dos sem-terra, também negou qualquer tipo de agressão. Tudo isso é uma inverdade. Não houve massacre. Conforme a superintendente-adjunta, os trabalhadores foram levados para Lindoeste e ganharam alimentos e lonas para montar barracos na área industrial da cidade.
Para Roberto Baggio, integrante da coordenação estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Incra perdeu a autoridade política para conduzir a reforma agrária no Paraná. O Incra é serviçal da Secretaria da Segurança. É até falta de ética se prestar a esse tipo de papel, disparou. Segundo Baggio, o Incra teria forçado, através de políticos locais, as famílias a deixar Lindoeste, onde haviam ocupado áreas consideradas produtivas pelo órgão.
O major José Paulo Betis, chefe da Comunicação Social do comando da PM, não foi encontrado pela Folha ontem para comentar as acusações. Segundo a assessoria de comunicação do governo estadual, não havia necessidade de ordem judicial para retirar os sem-terra porque não havia se passado 24 horas, o que caracteriza flagrante delito.





