Londrina-As 43 famílias de lavradores que moravam na Fazenda Itaverá na Zona Rural de Alvorada do Sul (Norte do Estado), e que há mais de duas semanas estavam vivendo de forma precária na cidade, poderão passar o Natal em suas casas. Cerca de 300 policiais militares cumpriram a reintegração de posse da área, que pertence ao Grupo Atala - proprietário da Usina Central do Paraná (UCP), em Porecatu. A ação foi concluída no começo da tarde de ontem e não houve nenhum conflito com os sem-terras liderados pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).
A área, estimada em cerca de mil alqueires, foi ocupada no dia 6 de dezembro e desde então os lavradores que viviam no local começaram a abandonar a área temendo o comportamento dos sem-terra. Na última semana, cerca de 90 mil toneladas de cana-de-açúcar que plantadas na fazenda foram queimadas, mas os sem-terras negam terem sido os responsáveis pelo incêndio no canavial.
O Batalhão de Rolândia comandou a operação de reintegração de posse que começou pela manhã e terminou à tarde. Segundo a Polícia, no local foram encontrados 60 famílias de sem-terra e não 200 como o movimento havia informado à FOLHA no último sábado. Um dos líderes do grupo disse que ainda não sabe para onde as famílias serão levadas. ''Achamos injusto a forma que retiraram a gente porque tinha alguns animais trazidos por nós que não deixaram a gente levar'', reclamou Celso Damasceno.
O administrador da fazenda, Cícero dos Santos, esteve na área fazendo a limpeza para receber os antigos moradores. ''Deixaram muita sujeira, restos de objetos quebrados. Há duas semanas o caminhão da prefeitura não entrava aqui para buscar o lixo'', comentou.
Apesar da boa notícia de poder voltar pra casa, Santos teme que o grupo retorne ao local. ''Eu particularmente não sei se volto porque ficou uma sensação de medo mesmo'', comentou.
O cortador de cana Valdinei Ferreira da Cruz, 30, que estava alojado com a mulher e os três filhos no ginásio de esportes de Alvorada do Sul desde que deixou a fazenda, comemorou a notícia. ''Queremos voltar o mais rápido possível, mas a gente fica um pouco depreocupado. Aqui está muito ruim viver, a gente não tem conforto e fica tudo muito difícil'', comentou.
As 43 famílias que viviam na fazenda são funcionários da UCP. O gerente da usina, José Aparecido Batinga informou que a empresa forneceu caminhões para os sem-terra transportarem seus objetos e providenciou fretes para a volta dos funcionários à colônia. ''Foi uma ação rápida do governo e ficamos satisfeitos com isso. Acredito que a problemática das famílias, a forma como elas foram retiradas de lá foi muito violenta e exigiu que alguma coisa fosse feita rapidamente'', comentou.
Conforme a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), os cerca de 150 integrantes da Contag foram retirados da fazenda e encaminhados para suas cidades de origem: Londrina, Cambé , Bela Vista do Paraíso e Juciara. Antes, as lideranças prestaram depoimentos à Polícia Civil em Porecatu. Os integrantes do movimento poderão responder por crimes como ameaça, roubo de pertences e violação de domicílio.

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