PMs pressionam contra reestruturação
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terça-feira, 05 de agosto de 1997
Agência Folha Brasília 
Arquivo FolhaResistênciaNem mesmo a extinção das casas militares dos estados, proposta anteontem pelo secretário nacional de Direitos Humanos, José Gregori, conta com a simpatia dos PMsAssociações de policiais militares ameaçam mobilizar mais de dois milhões de votos nas bases eleitorais de deputados e senadores na tentativa de barrar, no Congresso, reformas profundas no atual modelo de segurança pública. O poder político propalado pelos representantes dos PMs contabiliza os votos de cerca de 600 mil policiais da ativa, outros 300 mil da reserva, além de seus respectivos parentes nas eleições de 1998. Propostas como a extinção da PM ou o fim do direito de associação não passam aqui, aposta o coronel João Alberto Fraga Silva, assessor parlamentar e principal lobista da PM no Congresso. Temos um potencial mínimo de dois milhões de votos e não vamos perder aqui sem lutar, disse. O lobby das PMs tem gabinete fixo e atividade permanente a poucos metros dos plenários da Câmara e do Senado. Duas salas localizadas no edifício central do Congresso servem de sede, há 13 anos, para um escritório de assessoria parlamentar, obrigado recentemente a pagar um aluguel de R$ 640.
Os PMs não sabem ainda de quantos votos dispõem entre os deputados e senadores. Mas a assessoria do Palácio do Planalto calcula que a pressão é forte, principalmente nos partidos da base de apoio do governo. A principal bandeira do lobby no Congresso é impedir o fim das PMs nos estados. Representantes dos policiais alegam que os casos de insubordinação registrados em vários estados não justificam a desmilitarização das polícias.
A extinção das casas militares dos estados, proposta anteontem pelo secretário nacional de Direitos Humanos, José Gregori, tampouco conta com a simpatia dos PMs. A idéia do ministro da Justiça, Iris Rezende, de municipalizar as PMs também foi recebida com críticas.
Nenhuma das propostas cogitadas até agora pelo governo recebeu o aplauso dos representantes dos policiais. Isso tudo é como chover no molhado, avalia o coronel Alaor Silva Brandão, que integrava ontem a frente de duas dezenas de lobistas da PM nas dependências do Congresso. Se depender do lobby dos PMs, a saída ideal para a crise seria a imediata concessão de reajustes salariais aos militares, sem estendê-los aos funcionários civis, e a valorização profissional de cabos e soldados.


