PMs presos tiveram notas excelentes; comandante diz ter vergonha
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sexta-feira, 05 de março de 1999
Por Renato Lombardi 
São Paulo,06 (AE) - Dizendo estar envergonhado, abalado e sem explicação para entender a atitude dos sete militares - um tenente, um sargento e cinco soldados - acusados da morte de três jovens, o coronel Marco Antônio Medina Salsedo, comandante do Centro de Seleção, Alistamento e Estudos de Pessoal, setor de formação de militares, explicou que, quando deixa a escola, o policial militar sabe que deve ser educado, atender bem e fazer o melhor no trabalho em defesa da sociedade.
As informações nos registros da escola indicam que os sete militares acusados tiveram notas excelentes quando ingressaram na corporação. Nos exames de personalidade, inteligência, controle emocional, relacionamento interpessoal e investigação social foram considerados em ótimas condições.
Durante os 730 dias de estágio que fizeram nas companhias e nos batalhões, os oficiais e superiores - capitães, tenentes e sargentos - informaram que os sete tiveram boa conduta, dentro e fora do quartel.
O tenente Alessandro Rodrigues de Oliveira deixou a Academia do Barro Branco em 1994. O sargento José Carlos Ferreira, o mais antigo do grupo, está na PM desde 1985. Os soldados Alexandre Serafim Lara Costa e Antônio Sérgio Quintas da Costa saíram da escola em 1995. Humberto da Conceição e Edvaldo Ribas Assis são da turma de 1993. Marcelo de Oliveira Christov se formou em 1992.
Os registros do Centro de Seleção e da Academia de Polícia do Barro Branco indicam que os sete deixaram os cursos em perfeitas condições e prontos para o trabalho. Salsedo diz que a atitude dos militares do Regimento de Cavalaria foi covarde. "Precisa ser estudada, avaliada", afirmou. "É preciso saber o que realmente aconteceu."
Responsáveis - Os comandantes das unidades são os responsáveis pelo acompanhamento dos militares. Devem observar a existência de possível desvio de conduta e comportamento dos policiais.
Revoltado com o crime, Salsedo, que há três anos chefia o Centro de Seleção e Alistamento, declarou estar envergonhado. "A Polícia Militar está abalada; a nossa imagem também."
Para ele, a atitude foi deplorável, deprimente e deve ser combatida de todas as maneiras. "O homem é formado em nossa corporação para proteger, dar segurança à população e jamais matar, levar insegurança."
Na tentativa de evitar que policiais cometam crimes como esse e de saber a real situação do policial militar no quartel, o Centro de Seleção preparou um decreto para regulamentar o sistema de saúde mental da corporação.
O comandante-geral da PM, coronel Rui Cesar Melo, encaminhou o decreto à Secretaria da Segurança Pública. "O governador é quem poderá autorizar e o nosso objetivo é instalar um gabinete de psicologia e assistência social em cada unidade da corporação", explicou Salsedo.
Hoje, quando um policial tem problemas como estresse ou desvio de conduta, é encaminhado para o setor de psiquiatria do Hospital Militar, na zona norte. "Se o decreto for assinado, o policial será atendido em sua própria unidade facilitando o tratamento", diz Salsedo.
Escolaridade - Para ingressar na corporação o candidato, da capital e do interior, é submetido a exames que avaliam o grau de escolaridade, redação, testes objetivos de língua portuguesa, matemática e conhecimentos gerais.
A taxa de aprovação chega a 50%. Na etapa seguinte, o candidato passa por exame médico, teste de aptidão física, força
agilidade, resistência. A aprovação chega a 70%.
O passo seguinte é o teste psicológico, que verifica o desajuste do candidato, o grau de agressividade, a personalidade
a inteligência, o controle emocional, controle de ansiedade, impulsividade e o relacionamento interpessoal.
Antes de ser mandado para o Centro de Formação de Soldados, o canditado passa por uma investigação social. Os responsáveis pela apuração, militares à paisana, verificam a ficha criminal. Ficam sabendo se o candidato tem dívidas, protestos e se convive bem com parentes e vizinhos.
Muitas vezes a investigação é realizada em outros Estados, onde o candidato morou e onde ainda estão seus parentes. Na tentativa de melhorar o nível do policial, a partir de 1997, o comando da Polícia Militar passou a exigir o 2º grau completo do candidato.
O coronel Salsedo adiantou que, para a exigência do 2º grau, a PM preparou um estudo com base nas polícias de outros países e também de Estados brasileiros. Pelo estudo, o salário inicial de um soldado deveria ser de R$ 1 mil. Hoje ele ganha R$ 800,00.


