Mesmo que a operação da PM tenha sido considerada pacífica, a imprensa foi impedida de cobrir as desocupações. A alegação era que os bloqueios visavam à integridade física dos jornalistas. Eles tiveram de ficar na rodovia até as 9h10, quando o tenente-coronel Alberto Augusto da Silva, responsável pela operação, deu uma entrevista - a contragosto, pois preferia que a imprensa fosse até Loanda. Depois da insistência da imprensa, determinou ao tenente Clóvis que liberasse o tráfego. A ordem só foi cumprida às 10 horas.
Ao chegar na entrada da cidade, um novo bloqueio, comandado novamente pelo tenente Clóvis. A liberação para as áreas reintegradas só foi autorizada por volta das 13 horas, quando não havia mais sem-terra no local.
O secretário Cândido Martins de Oliveira assumiu a responsabilidade pela proibição. Ele alegou que a presença da imprensa poderia ser usada para desencadear algum ato de confronto dos sem-terra.
‘‘A experiência já nos mostrou que holofotes numa operação deste gênero poderiam gerar uma situação de conflito’’, disse. O secretário afirmou que o objetivo foi ‘‘proteger os próprios integrantes da imprensa’’.
Oliveira lembrou da prisão de dois jornalistas da Folha que foram confundidos com os sem-terra durante desocupação da fazenda Cachoeira, em Sapopema.
Os sindicatos dos jornalistas do Paraná e de Londrina divulgaram nota de protesto. ‘‘Essa atitude autoritária da Polícia Militar e da Secretaria da Segurança não é nova. O governo do Estado, por meio da PM e da Secretaria, quer ser a única voz dos fatos no Paraná. Os paranaenses têm direito à informação completa e não podem ser submetidos à ditadura do pensamento único. Polícia que pretende realizar ações pacíficas não precisa temer a presença da imprensa. Os holofotes que podem atrapalhar a operação, como disse o secretário da Segurança, Cândido Martins de Oliveira, são os mesmos que garantem um estado real de democracia e cidadania.’’

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