PMs e manifestantes entram em choque e atrasam reunião de reitores e funcionários de universidades
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quarta-feira, 12 de abril de 2000
Por Cristina Charão 
São Paulo, 13 (AE) - A reunião que estava marcada entre o sindicato dos professores e funcionários das três universidades estaduais e os reitores acabou não acontecendo até o final da tarde de hoje por causa de um tumulto entre a polícia e os manifestantes que estavam do lado de fora da Secretaria da Ciência e Tecnologia de São Paulo. Dois estudantes foram presos e um policial saiu ferido com um corte no rosto.
Os integrantes do Fórum das Seis, que representa os funcionários da USP, Unesp e Unicamp e do Centro Tecnológico Paula Souza, não aceitaram começar a negociação do reajuste salarial antes que fosse assegurada a libertação dos dois estudantes e que a polícia saisse de dentro do pátio da secretaria. A reunião estava marcada para às 16 horas e o tumulto comecou por volta das 16h30.
O carro de som do Sindicato dos Trabalhadores da USP estacionou na frente do portão da secretaria e foi impedido, pelos seguranças, de entrar. Em seguida, alguns policias militares cercaram a perua e deram voz de prisão ao motorista. Os manifestantes tentaram fazem um cordão de isolamento ao redor do carro. Quando o major da Polícia Militar José Everardo, que comandava a acão, pediu que os manifestantes desligassem o som, o tumulto começou. O major arrancou o microfone das mãos de um dos sindicalistas e, no meio do empurra-empurra, os policias soltaram uma bomba de gás lacrimogênio. Os estudantes Eduardo Cavalheiro e Jorge de Souza Alves foram presos por tentativa de agressão aos PMs. Bombas de efeito moral foram usadas pela polícia para dispersar os cerca de 600 manifestantes. No meio da confusão, os manifestantes conseguiram colocar o carro de som dentro do pátio da secretaria. Em seguida, os portões do local foram fechados.
O motorista do carro de som que teve voz de prisão decretada correu para dentro da secretaria e se juntou à comissão do Fórum das Seis. "O secretario disse, por telefone, que não queria ninguém aqui dentro da secretaria", afirmou o major Everardo. Segundo o ele, o barulho do carro de som estava atrapalhando o trabalho da secretaria e do Batalhão de Polícia, que fica ao lado. O diretor da Associação dos Docentes da USP, Flavio Finardi, disse que a ação foi uma decisão única do major, que se sentiu ofendido pela reação dos manifestantes.
Um pouco antes do carro de som chegar, o reitor da USP, Jacques Marcovitch foi vaiado pelos estudantes quando entrava na secretaria. Os servidores e docentes das universidades estaduais reivindicam 25% de aumento salarial imediato e mais 7% no segundo semestre. Esta é a segunda paralisação em dez dias por conta da campanha salarial. Segundo informações da assessoria de Imprensa da USP, houve paralisação parcial nas unidades e apenas a Escola de Comunicação e Artes não funcionou.


