PMs do Rio trabalham sem armas e coletes à prova de balas
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sábado, 11 de fevereiro de 2017
Das agências 
A manifestação de familiares de policiais em frente ao 6º Batalhão da Polícia Militar, na Tijuca, na zona norte do Rio, está refletindo na segurança dos militares. Na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Morro do Salgueiro, no bairro, 15 policiais trabalham desarmados e sem colete à prova de balas na manhã deste sábado, 11. Eles contaram que receberam ordem do comando do batalhão de seguir diretamente para a base da UPP, um contêiner instalado na entrada do morro, no início do turno, às 6 horas.
Normalmente, antes de seguir para as UPPs, os PMs se apresentam ao batalhão para buscar o material de trabalho. Mas não fizeram dessa forma neste sábado por orientação do comando, que organizou a rendição dos turnos nas ruas para romper o movimento das mulheres. Elas protestam para reivindicar regularização do pagamento de salários e benefícios, atrasados por conta da crise financeira do Estado. "Tem que contar com a sorte de vagabundo não atirar na gente", afirmou um dos policiais, que não quis se identificar à reportagem.
Por volta das 8h30, parte do grupo de 15 PMs mantidos na base da UPP estava parada do lado de fora da unidade, encostada em seus carros, na calçada, mexendo em seus telefones celulares. Nesse grupo, apenas um estava fardado, com colete e armado, porque trouxe seu equipamento de casa. "Os bandidos conhecem a nossa cara. Estamos aqui todos os dias. Mas fazer o quê? Tem muita coisa envolvida", disse um dos PMs, ao comentar a vulnerabilidade do grupo.
Este sábado é o segundo dia de manifestação das mulheres de policiais nas portas dos batalhões. Há movimentação também em pelo menos outros três batalhões: 16º (Olaria, na zona norte), 19º (Copacabana, zona sul) e 23º (Leblon, zona sul). Na Tijuca, elas prometeram levar os filhos e parentes domingo, para participar do protesto. O comandante do batalhão, coronel João Busnello, tentou negociar a saída das manifestantes da frente da unidade, sem sucesso.
Espírito Santo
As mulheres e mães de policiais militares que estão acampadas há oito dias em frente aos batalhões do Espírito Santo impedindo a saída de viaturas continuam seu protesto na manhã deste sábado (11). Elas dizem que não vão recuar do ato por melhores salários e permanecem em frente aos quartéis bloqueando a saída dos policiais.
Perto das 8 horas, alguns policiais se aproximaram do portão principal do Quartel do Comando-Geral da Polícia Militar (PM) do Espírito Santo e fizeram um apelo para que as mulheres desbloqueassem a saída para que pudessem voltar para o policiamento nas ruas. Os PMs disseram que precisavam estar às 8 horas em seus postos de trabalho porque, caso contrário, seriam punidos.
Às 8 horas, dezenas de policiais que estavam na rampa de acesso ao batalhão e esperavam para sair retornaram ao prédio do Comando-Geral. Aos gritos de "guerreiros", eles foram muito aplaudidos pelas manifestantes. As viaturas do Batalhão de Missões Especiais (BME), elite da PM do estado, também permanecem dentro do quartel.
O governo do Espírito Santo anunciou na noite de sexta-feira (10) a assinatura de um acordo com as associações que representam os policiais militares capixabas para suspender a paralisação dos agentes e para que eles retomassem suas atividades neste sábado, a partir das 7 horas. O governo informou que aqueles que retornassem até este horário não seriam punidos administrativamente.
As mulheres dos policiais não participaram da negociação com o governo. No acordo firmado na noite de sexta, o governo não concedeu aumento salarial. Na proposta apresentada pelas mulheres, elas pediam 20% de reajuste imediato e 23% de reajuste escalonado.
A aposentada Carmen Pesse, de 57 anos, mãe de um policial militar de 41 anos, que está há 19 anos na corporação, disse que as mulheres vão continuar na luta por melhores salários para os PMs. "As entidades de classe não estavam na organização. É um movimento de mulheres e familiares. O governador não poderia chamar as entidades para negociar sem a nossa presença", disse Carmen.
"Se essas entidades realmente estivessem lutando por seus associados não precisava os familiares estarem entrando nessa luta. Quando nós, mulheres, decidimos vir para essa luta, a gente sabia que ia enfrentar muita coisa. Estamos preparadas", acrescentou.
Pelo acordo, segundo o secretário Direitos Humanos, Julio Pompeu, os militares não sofrerão sanções administrativas caso voltem ao trabalho, mas o indiciamento de 703 policiais pelo crime militar de revolta não será suspenso. Se condenados, a pena é de oito a 20 anos de detenção em presídio militar e a expulsão da corporação. Esses policiais tiveram o ponto cortado desde sábado (4) e não vão receber salário.


